ONU retira maconha da lista de drogas muito viciantes como a heroína

A reclassificação da Cannabis sativa recebeu aprovação na Comissão de Narcótico das Nações Unidas nesta quarta (2/12)

Cannabis - Pexels

De acordo com a nova regra da ONU, a maconha não está mais ao lado de opioides perigosos como a heroína (Foto: Pexels)

Nesta quarta (2/12), a Comissão de Narcóticos das Nações Unidas (ONU), com sede em Viena, na Áustria, votou para remover a Cannabis sativa usada de forma medicinal da categoria das drogas mais perigosas do mundo. A decisão era muito esperada e pode abrir caminho para uma expansão das pesquisas e usos medicinais da maconha.

A comissão, que inclui 53 estados-membros, considerou uma série de recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre a reclassificação da cannabis e seus derivados. Mas a atenção centrou-se numa recomendação chave para remover a planta da Tabela IV da Convenção Única sobre Entorpecentes de 1961 – onde foi listada ao lado de opioides perigosos e altamente viciantes como a heroína.

Especialistas ouvidos pelo jornal americano The New York Times afirmam que essa mudança na classificação da maconha não terá impacto imediato no afrouxamento dos controles internacionais porque os governos ainda terão jurisdição sobre como classificar a cannabis.

Mas muitos países buscam orientação nas convenções globais, e o reconhecimento da ONU é uma vitória simbólica para os defensores do uso medicinal da planta, que acham desatualizado o direito internacional.

Uso medicinal do canabidiol

“É uma vitória histórica para nós, não poderíamos esperar por mais”, diz o pesquisador independente Kenzi Riboulet-Zemouli, que trabalha com políticas de drogas, em entrevista para o jornal. Segundo ele, a cannabis foi usada ao longo da história para fins medicinais e que a decisão desta quarta (2/12) restabeleceu esse status.

A maconha para uso medicinal explodiu nos últimos anos e produtos contendo derivados da planta, como o canabidiol ou CBD, um composto não tóxico, inundaram a indústria do bem-estar.

Algumas pesquisas sugerem que o CBD pode proteger o sistema nervoso e proporcionar alívio para convulsões, dor, ansiedade e inflamação. A lista de produtos com infusão de canabidiol, citada pelo New York Times inclui cremes, soros, água com gás e sucos.

As recomendações para mudar a classificação da maconha foram feitas pela primeira vez pela OMS em 2019. Mas eram politicamente divisivas, o que levou a atrasos incomuns na votação pela comissão das Nações Unidas.

A reclassificação venceu por 27 a 25, com abstenção da Ucrânia. Os Estados Unidos e as nações europeias estiveram entre os que votaram a favor, enquanto países como China, Egito, Nigéria, Paquistão e Rússia se opuseram.

O delegado chinês da Comissão de Narcóticos da ONU, citado pelo jornal, comenta que, apesar da nova indicação, o país continuará controlando de forma estrita a cannabis “para proteger do uso danoso e do abuso”.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.