Água de Marte poderá virar combustível e oxigênio para futuros colonos

Um novo estudo mostra que é possível quebrar as moléculas da água existente no solo marciano para beneficiar a futura colonização do planeta

Marte - Shutterstock

O Planeta Vermelho possui água salgada rica em perclorato, que pode ser transformada em hidrogênio e oxigênio (Foto: Shutterstock)

Futuros colonizadores de Marte poderão um dia conseguir produzir combustível e oxigênio a partir da água salgada que existe no planeta, segundo um novo estudo.

A tecnologia por trás desse avanço também pode ser usada na Terra, já que ajudaria submarinos a gerar oxigênio a partir dos mares e oceanos na Terra, afirmam os pesquisadores, no artigo publicado na última segunda (30/11) no jornal científico Proceedings of the National Academy of Sciences.

Para viver em Marte, qualquer colono em potencial precisará de oxigênio para respirar e de combustíveis como hidrogênio para alimentar os equipamentos. Portanto, qualquer água que encontrarem no Planeta Vermelho será preciosa, pois poderão usar eletricidade e outros métodos para quebrar as moléculas do líquido da vida produzindo hidrogênio e oxigênio.

“Marte é um destino distante e estamos limitados em relação à quantidade de coisas que podemos levar conosco. Então, se conseguirmos utilizar os recursos existentes lá, será mais econômico e viável do que ter de carregar conosco”, diz o engenheiro químico Vijay Ramani, da Universidade de Washington (EUA), um dos autores do estudo, em entrevista ao site Space.

Usando a água de Marte

Pesquisas anteriores descobriram que o Planeta Vermelho possui grandes quantidades de gelo, e a sonda Phoenix, lançada pela Agência Espacial Norte-Americana (Nasa) em 2007, encontrou sinais de que as planícies árticas de Marte foram cobertas por água líquida nos últimos milhões de anos.

A sonda da Nasa também descobriu compostos conhecidos como percloratos no solo marciano, que podem agir como anticongelante, baixando o ponto de congelamento da água além de sua temperatura normal.

Como as salmouras contendo perclorato podem permanecer líquidas mesmo nas baixas temperaturas encontradas na superfície marciana, o estudo americano quis verificar se a técnica conhecida como eletrólise seria capaz de dividir as moléculas da água para formar hidrogênio e oxigênio.

Vale dizer que a temperatura média anual em Marte é de cerca de –63º C, embora possa variar até 100º C ao longo de um dia.

“A eletrólise é conhecida há cerca de 100 anos ou mais, mas usa principalmente água pura como ‘combustível’”, comenta Ramani ao Space.

De qualquer forma, os cientistas lembram que é necessária alguma eletricidade para conduzir as reações químicas da eletrólise. Em Marte, a eletricidade provavelmente virá de células fotovoltaicas (energia solar).

O estudo recém-publicado afirma ainda que a técnica poderá ajudar a Nasa a cumprir seus planos de levar humanos ao Planeta Vermelho em meados da década de 2030.

“Esperamos poder ajudar a Nasa na tentativa de expandir essa tecnologia e melhorar ainda mais o desempenho, especialmente em demonstrações usando instalações que simulam o ambiente marciano”, completa Vijay Ramani na entrevista ao site especializado.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.