Saiba porque pacientes com Alzheimer se perdem com facilidade

Estudo realizado no Reino Unido descobre como a demência age na parte do cérebro responsável pela localização espacial

Casal de Idosos - Pexels

É muito comum ver pacientes com Alzheimer não saberem onde estão, mesmo dentro das próprias casas (Foto: Pexels)

Segundo dados da Associação do Alzheimer, no Brasil existem mais de um milhão de pessoas com alguma forma de demência, sendo a mais comum a Doença de Alzheimer. Esse problema neurodegenerativo afeta a qualidade de vida dos pacientes, incluindo a capacidade de localização.

Uma nova pesquisa realizada pela Escola de Medicina da Universidade de Exeter, no Reino Unido, e publicada na última quinta (26/11) na revista científica Neuroscience, oferece uma explicação sobre como o Alzheimer causa a desorientação em suas vítimas.

No estudo, cientistas examinaram como as células nervosas especializadas chamadas sensíveis à velocidade, que mudam a taxa de disparo dependendo da velocidade do movimento da pessoa (tipo o velocímetro de um carro), podem ser afetadas pela demência.

A investigação foi realizada com cobaias modificadas que produziam a proteína TAU – uma característica do Alzheimer e de outras formas de demência.

A equipe descobriu que, enquanto cerca de 60% das células nervosas normais dos ratos eram sensíveis à velocidade, a sensibilidade caiu para 13% nos animais com características da doença neurodegenerativa.

Quando esse “velocímetro” do cérebro não funciona bem, o mapa cerebral não recebe informações corretas sobre a distância percorrida pelo indivíduo.

Os cientistas acreditam que esse mau funcionamento leva à interrupção de outros elementos do nosso mapa interno, e descobriram que outras células nas cobaias com a proteína TAU tóxica não funcionavam.

“Pessoas com doença de Alzheimer e outras demências podem apresentar deficiências profundas na memória espacial, o que significa que muitas vezes se perdem mesmo em ambientes domésticos. Precisamos entender isso se quisermos fornecer tratamentos para esse sintoma angustiante”, afirma o pesquisador Jon Brown, líder do estudo, citado pelo site especializado Medical Xpress.

Segundo o especialista, as células que atuam como “velocímetro” e fornecem informações ao mapa neural do cérebro parecem não trabalhar corretamente em pessoas com demência, e isso pode ajudar a resolver parte do “quebra-cabeça”. “Se isso se traduzir em humanos, poderá identificar novos caminhos para tratamento potencial”, completa o pesquisador britânico.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.