Pietro Fittipaldi fala sobre sua estreia como piloto oficial da Haas na Fórmula 1

O jovem piloto será o primeiro brasileiro a dirigir um carro de F1 desde a aposentadoria de Felipe Massa em 2017

Pietro Fittipaldi - Instagram

Aos 24 anos, o piloto brasileiro Pietro Fittipaldi volta a representar o país num GP oficial da F1 (Foto: Instagram/pifitti/Reprodução)

Depois do grave acidente sofrido pelo piloto suíço Roman Grosjean no último domingo (29/11), no Grande Prêmio do Bahrein de Fórmula 1, a equipe Haas decidiu ceder sua vaga (enquanto ele se recupera da queimadura nas mãos) ao brasileiro Pietro Fittipaldi, de 24 anos, neto do bicampeão Emerson Fittipaldi.

Para quem não sabe, Pietro, que nasceu em Miami, na Flórida (EUA), trabalha há seis meses como piloto de testes da equipe americana fundada em 2016.

Nesta segunda (30/11), por volta das 14h (horário de Brasília), o piloto brasileiro comentou sobre sua estreia na F1 ao vivo em live transmitida pelo canal Fittipaldi Brothers na Twitch – que é mantido por ele e pelo irmão Enzo Fittipaldi, que corre na Fórmula 3 pela equipe HWA Racelab.

“Claro que o acidente do Grosjean foi louco. Eu vi na hora, ao vivo. Sabia que era grave. Até um amigo dele que o companha na corrida estava tremendo. A gente não sabia o que tinha ocorrido com ele”, diz Pietro Fittipaldi para cerca de quatro mil espectadores que o assistiam na plataforma que pertence à Amazon.

O piloto afirma que ver Roman Grosjean sair do carro praticamente ileso foi realmente um milagre. “Graças a Deus ele conseguiu sair. Não sei como, mas saiu, e sem uma das sapatilhas, que ficou presa dentro do carro. Ele teve de sair o mais rápido possível. Sorte porque podia ter acontecido tanta coisa… Podia ter desmaiado; quebrado uma perna ou uma mão e não ter conseguido tirar o cinto”, comenta Pietro.

O piloto de testes da Haas lembra que o acidente que sofreu em maio de 2018 no circuito de Spa-Francorchamps, pelo campeonato mundial de Endurance, foi mais grave. Na época, o neto de Emerson Fittipaldi sofreu fratura exposta nas duas pernas. Ainda assim, em julho daquele ano já estava de volta às pistas.

Recebendo a notícia

Na live desta segunda (30/11) na Twitch, Pietro Fittipaldi revela que não sabia se Grosjean teria condições de correr no próximo final de semana, no GP de Sakhir, também no Bahrein.

“Quando cheguei no hotel, às 10h [horário local] da manhã de hoje, estava no banheiro quando recebi uma mensagem de Gunther [Steiner, chefe da Haas], falando para ir para a pista que ele estaria lá em 30 min. Me arrumei rápido e fui na pista, no lugar onde a equipe almoça. O Gunther estava sentado com a chefe de marketing da equipe [Lauren Burton] e ele me contou. Ele é engraçado. Quando cheguei, sentei na mesa e ele perguntou se eu estava preparado. Disse que sim. Mas ele falou: ‘tem que dizer nasci preparado’. Eu disse. Ele falou: ‘que bom, pois vai correr neste final de semana’”, conta Pietro aos seus milhares de espectadores.

O jovem piloto brasileiro ressalta que essa não foi a melhor das circunstâncias, nas no automobilismo isso acontece. “Graças a Deus o Roman está bem. A gente nunca sabe quando a oportunidade vai chegar. A chance é muito pequena. Este ano tivemos dois casos de covid-19 e os pilotos foram substituídos. Estou preparado”, completa.

Em 2017, pela equipe Lotus, na Fórmula 2, Pietro venceu sua sexta corrida no México, no circuito Hermanos Rodriguez (Foto: Instagram/pifitti/Reprodução)

Preparando para a estreia

Pietro Fittipaldi conta que estava na pista, nesta segunda (30/11) junto com a equipe tratando de questões de mídia, especialmente materiais para a imprensa.

“Tenho três dias para me preparar. A equipe está trazendo meu assento da Itália [onde ele vive atualmente], que estava no simulador [de corrida]. Hoje estive com o engenheiro. Eu guio o carro há sete ou oito dias. Falei para o engenheiro me ajudar a atualizar e memorizar o volante. É muita coisa. Vai ser difícil, mas estou preparado. Afinal, é entra no carro, acelerar e fazer meu melhor”.

O piloto será o primeiro brasileiro a correr pela Fórmula 1 desde a aposentadoria do paulista Felipe Massa em 2017.

“Vai ser uma loucura. Ainda mais nessa pista, que tem quatro curvas. Não é um oval. É estranha. Ou a corrida vai ser chata, porque ninguém conseguirá ultrapassar, ou uma loucura, com todo mundo tentando ultrapassar”, comenta Pietro em seu canal Fittipaldi Brothers, na Twitch.

Ao público que o acompanhava na live, o jovem brasileiro revela que, em alguns momentos, por ser piloto de testes, chegou a ficar “triste” por não ter oportunidade.

“Algumas vezes eu ia pra pista na sexta, como reserva, mas achava difícil ver que não ia correr no final de semana. Passa outra semana e você não corre. Tem aquela pressão se teria chance na F1 ou não. Mas eu me mantive focado”, afirma Pietro Fittipaldi.

Ainda assim, ele diz que sempre acreditou e que continuava trabalhando para isso.

Antes de se despedir do público, falou sobre a expectativa para o próximo final de semana em Bahrein: “Vou fazer meu melhor, representar o Brasil no grid da F1 de novo. Vamos lá com tudo! Amanhã [1/12] vou para a pista já às 10h [horário local], fazer trabalho técnico com a equipe. Quarta [2/12] chega o assento e já posso preparar o carro. Na sexta [4/12], é por o capacete e sair pela 1ª vez na pista, que é diferente. Vai ser interessante. Estou ansioso, quero sair já”, finaliza Pietro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.