Médico britânico quer que a ONU o reconheça como proprietário de Marte

Como mostra uma reportagem recém-publicada, Phil Davies é um dos 150.000 supostos proprietários de terras no Planeta Vermelho

Médico britânico dono de Marte

O médico britânico Phil Davies emite um laser de sua casa até Marte para ajudar na formação de uma atmosfera no planeta (Foto: Facebook/JoinTheMartians/Reprodução)

O médico Phil Davies sabe que parece loucura apontar um laser para Marte a partir do jardim de sua casa em Hampshire, no Reino Unido. Além disso, o britânico virou notícias em todo o mundo ao dizer que é dono do Planeta Vermelho.

Segundo informações divulgadas pelo tabloide britânico Daily Star no último domingo (29/11), junto com 150.000 pessoas, Davies está planejando uma missão pela “paz mundial” – para proteger a humanidade do que ele diz ser uma ameaça real de armas nucleares colocadas no espaço.

Cerca de 10 anos atrás, o homem de 55 anos começou a lançar um “poderoso laser” a partir de sua casa para liberar dióxido de carbono na atmosfera de Marte, que fica a 91 milhões de km de distância.

Ao fazer isso, segundo o Daily Star, ele acredita que está mudando o Planeta Vermelho para deixá-lo parecido com a Terra e, citando a “lei espacial atual”, diz ter o direito de reivindicar a posse do território marciano.

Tratado das Nações Unidas

Phil Davies, citado pelo tabloide, afirma que está preparando o nosso vizinho para uso prolongado e, caso seja questionado por um tribunal, de acordo com os regulamentos da Organização das Nações Unidas (ONU), para possuir parte de um planeta você tem que mostrar que o preparou para “uso sustentado”.

“É tudo sobre o Tratado do Espaço Sideral. Essa é a única lei que impede armas agressivas em órbita acima da Terra”, comenta o médico ao Daily Star.

Ao criar uma reclamação legal de que ele é o dono de Marte, Davies espera “persuadir” a ONU a atualizar suas leis espaciais para impedir que países “desagradáveis” utilizem armas no espaço numa tentativa de minar planetas inexplorados.

“O Tratado do Espaço Sideral nos manteve seguros por todos esses anos. O problema é que impediu todos, especialmente os americanos, de realizarem mineração espacial. Meu entendimento é que em qualquer nação, a ganância é maior do que o desejo de paz. Se pudéssemos incitar isso e mostrar que seremos difíceis de lidar, que corremos o risco de obter os direitos legais, eles terão que atualizar a lei nessa direção”, diz Davies ao tabloide britânico.

Vale dizer que o Tratado do Espaço Sideral de 1967 foi assinado durante a Guerra Fria para impedir que armas nucleares fossem enviadas ao espaço.

Risco de guerra espacial

O médico está preocupado que o antigo tratado esteja desatualizado e que o setor privado queira aboli-lo para facilitar a mineração e a exploração do espaço.

Com isso, argumenta o médico, surge o “risco real” de as armas nucleares serem deixadas 350 km acima de nossas cabeças.

Junto com 150.000 membros da organização Mars for Sale, que vende “terrenos marcianos”, Phil Davies teme que, em breve, possa haver uma corrida armamentista catastrófica no espaço.

“Ninguém é maduro o suficiente para lidar com armas nucleares no espaço. O perigo não vem necessariamente da Rússia, mas as ameaças podem vir de qualquer lugar. América, China ou Coreia do Norte podem ir longe demais”, completa o médico.

O grupo liderado pelo ex-integrante da Força Aérea Real (RAF) do Reino Unido, deseja que a ONU ratifique sua reivindicação e atualize o tratado. Eles acreditam que ao melhorar a atmosfera marciana e formarem uma associação internacional, podem reivindicar legalmente a propriedade do Planeta Vermelho.

Ao Daily Star, Davies admite que seu laser caseiro está fazendo muito pouco em relação à formação de atmosfera em Marte, mas que é algo que o deixa “na liderança”.

Em teoria, seria possível liberar CO² na atmosfera de Marte por meio de bombas lançadas contra sua superfície. Essa ação é apoiada pelo empresário sul-africano Elon Musk, criador da empresa aeroespacial SpaceX.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.