Homens não traem por sexo, diz especialista

Socióloga publica livro em que revela como o público masculino busca uma outra parceira não pelo apetite sexual, mas por questões emocionais

Casal romântico - Pixabay

Mulheres traem por sexo e os homens para terem seus sentimentos reconhecidos, afirma socióloga americana (Foto: Pixabay)

Na cultura machista, que ainda prevalece em muitos lugares, os homens são apresentados como tendo apetite sexual insaciável, com dificuldade para resistir “à tentação”. As mulheres foram ensinadas que isso é da “natureza do homem”, enquanto o público masculino acredita que nasceu para “ser assim”.

Como resultado, a sociedade projeta a expectativa de que a monogamia é algo difícil para os homens. No entanto, uma pesquisa recente da socióloga americana Alicia Walker, professora da Universidade Estadual de Missouri (EUA), revela que a decisão do homem de trapacear é fortemente influenciada por sua “necessidade de conexão emocional e intimidade” do que pelo “desejo de sexo”.

Na pesquisa, que resultou no livro Chasing Masculinity: Men, Validation and Infidelity, publicado em 2020 pela editora britânica Palgrave Macmillan, Walker entrevista homens infiéis que traíram suas esposas por meio do site Ashley Madison.

A grande maioria dos homens envolvidos no estudo diz que as motivações para as aventuras não se basearam no apetite sexual típico da ideologia machista, mas sim no “desejo de apoio, validação e outras necessidades emocionais que a parceira principal não satisfazia”.

Uma das conclusões da socióloga americana é que, embora busca por uma segunda parceira possa certamente ter cunho sexual, a natureza é muito mais profunda e significativa do que um simples encontro físico.

“Os homens com quem conversei me explicaram que suas esposas não prestam atenção suficiente; mostram pouco interesse em seus sentimentos; e falta entusiasmo quando se trata de fazer sexo. Embora amem as esposas, esses homens enxergam o desinteresse delas não apenas como parceira sexual, mas como pessoa, e internalizam isso como com a ideia de que ‘não sou bom o suficiente’. Então, porque querem continuar casados, terceirizam as necessidades não atendidas, encontrando uma parceira mais interessada, que mostra esse entusiasmo e dá a eles a validação que não estão recebendo em casa”, explica Alicia Walker, citada pelo site espanhol ABC.

Capa do livro Chasing Masculinity: Men, Validation and Infidelity, que traz o resultado do estudo de Alicia Walker
Capa do livro Chasing Masculinity: Men, Validation and Infidelity, que traz o resultado do estudo de Alicia Walker (Foto: Facebook/aliciamwalkerphd/Reprodução)

Mulheres mais interessadas em sexo

Uma investigação anterior realizada pela socióloga e professora da Universidade Estadual do Missouri com mulheres infiéis alterou as expectativas sobre por que mulheres e homens têm casos extraconjugais.

Enquanto o público masculino é mais motivado pela necessidade de ser ouvido e reconhecido, as mulheres são levadas à traição pelo sexo e pela falta de orgasmos em casa, de acordo com Walker.

O público feminino relata que se sente apoiada emocionalmente pelo cônjuge, mas opta por terceirizar as necessidades físicas, que ficam sem resposta dentro do casamento. Embora vários homens e mulheres concordem em algumas de suas motivações, a maioria incorpora uma lógica que normalmente não seria atribuída a eles se fôssemos atender aos “padrões sociais”.

“Desenvolvemos conceitos errôneos de gênero e presumimos que as mulheres traem para encontrar o amor e os homens para fazer sexo. No meu estudo, isso muda um pouco e mostra que a maioria dos casos femininos tem a ver com variedade sexual, enquanto os homens têm o cuidado de pesquisar parceiros em potencial para a estabilidade emocional de que precisam. Eles também são mais propensos a serem monogâmicos com o parceiro externo do que as mulheres, e geralmente se opõem à ideia de um casamento aberto”, afirma a especialista, citada pelo ABC.

Segundo o estudo de Alicia Walker, os homens com casamentos considerados insatisfatórios não optaram inicialmente por acessar o Ashley Madison. Na verdade, os entrevistados afirmam ter passado anos discutindo suas preocupações com as esposas e tentando recuperar o interesse por elas.

“É uma conversa difícil quando você sente que decepcionou seu cônjuge. Esses homens me disseram que, quando falavam sobre isso, as esposas normalmente diziam que não sabiam por que eles se sentiam assim ou que até mesmo os ignorava. Só então eles decidiam encontrar outra pessoa que pudesse reparar o ego ferido; dar a atenção que desejavam e a oportunidade de mostrar que são dignos de amor e carinho”, completa a socióloga.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.