Pela 1ª vez, cientistas encontram galáxia que permanece “viva” enquanto é consumida por buraco negro

O quasar localizado no centro da galáxia CQ4479 é muito ativo e ainda assim deixou que gases frios permanecessem, o que é necessário para criação de estrelas

Buraco Negro consome galáxia

Ilustração mostra a galáxia CQ4479 sendo devorada pelo buraco negro extremamente ativo, enquanto o material consumido forma um quasar muito brilhante (Foto: Nasa/Daniel Rutter/Reprodução)

Os buracos negros são conhecidos por “devorarem ferozmente” tudo que encontram, mas um estudo recém-publicado revela que uma galáxia está sobrevivendo às forças vorazes de um buraco negro, continuando a gerar novas estrelas do tamanho do nosso Sol (cerca de 100 por ano).

A descoberta foi realizada pelo observatório Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy (SOFIA), que é instalado num avião e administrado pela Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (Nasa).

O estudo, publicados no início de novembro no jornal científico The Astrophysical Journal, pode ajudar a explicar como as galáxias massivas surgiram, embora o Universo hoje seja dominado por galáxias que não formam mais estrelas.

“Isso mostra que o crescimento de buracos negros ativos não interrompe o nascimento de estrelas, o que vai contra todas as previsões científicas atuais. Está nos fazendo repensar as teorias sobre como as galáxias evoluem”, comenta Allison Kirkpatrick, professora da Universidade de Kansas (EUA), coautora do estudo, citada por artigo publicado no site da Nasa na última sexta (27/11).

Entenda o poder do quasar

O SOFIA estudou uma galáxia chamada CQ4479, que é extremamente distante, localizada a mais de 5,25 bilhões de anos-luz da Terra. Em seu núcleo está um quasar do tipo “frio”, que foi recentemente descoberto por Kirkpatrick.

Nesse tipo de quasar, o buraco negro ativo ainda está se banqueteando com material de sua galáxia hospedeira, mas a intensa energia gerada não expulsou todo o gás frio, então as estrelas podem continuar se formando já que a galáxia continua viva.

É a primeira vez que cientistas observam de forma detalhada um quasar frio, medindo diretamente o crescimento do buraco negro, a taxa de nascimento de estrelas e quanto gás frio resta para abastecer a galáxia.

“Ficamos surpresos ao uma galáxia excêntrica que desafia as teorias atuais. Se esse crescimento continuar, o buraco negro e as estrelas ao redor triplicarão de massa antes que a galáxia chegue ao fim de sua vida”, diz o pesquisador Kevin Cooke, também da Universidade de Kansas, principal autor do estudo, citado pela Nasa.

Como se sabe, os quasares ou “fontes de rádio quase estelares” são difíceis de observar porque frequentemente ofuscam tudo ao seu redor. Eles se formam quando um buraco negro ativo consome grandes quantidades de material da galáxia que o circunda, gerando fortes forças gravitacionais.

À medida que os materiais giram cada vez mais rápido em direção ao centro do buraco negro, eles se aquecem e brilham intensamente. Um quasar produz tanta energia que muitas vezes ofusca tudo ao seu redor, incluindo sua galáxia hospedeira.

As teorias atuais preveem que essa energia aquece ou expulsa o gás frio necessário para a criação de estrelas, o que leva à morte da galáxia. Mas o novo estudo revela que há um período relativamente curto em que o nascimento de estrela pode continuar enquanto o buraco negro continua se alimentando.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.