Estudo associa pressão alta na meia-idade a danos cerebrais na velhice, incluindo demência

A pesquisa realizada pela Universidade de Oxford mostra que pessoas com pressão arterial alta aos 40 e 50 anos podem sofrer danos cerebrais graves mais tarde

Medindo a pressão - Pixabay

Manter as pressões sistólica e diastólica nos níveis adequados desde os 40 anos pode favorecer a saúde do cérebro na velhice (Foto: Pixabay)

Pessoas que apresentam pressão alta com 40 e 50 anos podem sofrer com problemas neurodegenerativos mais tarde, segundo pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido.

No estudo, publicado nesta quinta (26/11) no jornal científico European Heart Journal, foram avaliados exames de ressonância magnética de 37.041 pacientes com idades entre 40 e 69 anos, inscritos no projeto Biobank do Reino Unido.

Os resultados apontam que o aumento da pressão arterial na meia-idade – mesmo em níveis que normalmente não exigem tratamento medicamentoso – leva a danos extensos à “substância branca” do cérebro.

Isso pode levar à demência, derrame, deficiência física e depressão na vida adulta, alertam os cientistas britânicos no artigo recém-publicado.

De olho na pressão arterial

A pressão arterial é expressa de duas formas: sistólica (coração envia sangue para as artérias), que é a maior; e a diastólica (coração se esvazia), que é a menor.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) entende como pressão sanguínea ideal a sistólica em 140 mmHg e a diastólica em 90 mmHg – apesar de nos EUA esse valor recentemente ter mudado para 130 mmHg e 80 mmHg.

Segundo o estudo da Universidade de Oxford, cada aumento de 10 pontos na pressão arterial sistólica acima do ideal representa elevação de cerca de 13% dos danos à substância branca do cérebro.

E para cada aumento de cinco pontos na pressão arterial diastólica, o dano aumentou 11%.

Curiosamente, os pesquisadores encontraram algumas evidências de danos causados pela pressão arterial não tão alta: alguns pacientes tiveram problemas cerebrais com níveis sistólicos acima de 120 e diastólicos acima de 70.

Danos visíveis nos exames

Os cientistas britânicos examinaram imagens de ressonância magnética do cérebro dos pacientes para procurar “hiperintensidades da substância branca”, ou seja, sinais de danos aos pequenos vasos sanguíneos no cérebro.

Esse problema está relacionado a condições graves que surgem na velhice, incluindo declínio geral nas habilidades de pensamento e desenvolvimento de demência.

“Nem todas as pessoas desenvolvem essas mudanças à medida que envelhecem, mas estão presentes em mais de 50% dos pacientes com mais de 65 anos e na maioria das pessoas acima de 80, mesmo sem pressão alta. Porém, é mais provável que se desenvolva com pressão arterial elevada e que seja mais grave”, comenta a pesquisadora Karolina Wartolowska, da Universidade de Oxford, coautora do estudo, em entrevista para o jornal britânico Daily Mail.

Ela salienta que a pesquisa é importante por associar a pressão arterial diastólica em pessoas na faixa dos 40 e 50 anos a danos cerebrais mais extensos anos depois.

“Isso significa que não é apenas a pressão arterial sistólica, o primeiro número mais alto, mas a pressão arterial diastólica, o segundo número mais baixo, que é importante para prevenir danos ao tecido cerebral”, diz a cientista ao periódico.

Portanto, a recomendação dos cientistas é que para manter o cérebro saudável aos 60 e 70 anos, é preciso ter atenção à pressão arterial, mantendo os níveis dentro de uma faixa saudável quando ainda estamos com 40 e 50 anos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.