Conheça a dieta endomorfa

Já existe plano alimentar destinado a pessoas com corpos considerados endomorfos, ou seja, com maior quantidade de gordura localizada

Churrasco - Pixabay

Apesar de a dieta endomorfa restringir o consumo de carboidratos, especialistas recomendam a ingestão de vegetais e frutas (Foto: Pixabay)

Jejum intermitente, dietas cetogênica (keto) e paleolítica. Existem vários tipos de restrições alimentares que não saem de moda. Agora, é a vez da dieta destinada ao corpo endomorfo.

Na década de 1940, o médico e psicólogo americano William H. Sheldon criou um novo método de somatotipagem, que classifica os corpos humanos em três grupos diferentes, de acordo com a aparência:

  • Endomorfos: geralmente descritos como redondos, flácidos ou curvilíneos e têm uma grande quantidade de gordura corporal
  • Mesomorfos: normalmente descritos como quadrados, musculosos ou atléticos
  • Ectomorfos: geralmente descritos como magros e com baixa quantidade de músculo e gordura

“A teoria é que todos podem ser colocados, ordenadamente, em uma dessas categorias generalizadas, mas nem sempre é o caso, pois muitas pessoas exibem traços característicos de vários tipos de corpo”, comenta o educador físico Christopher Gagliardi, do Conselho Americano de Exercício (EUA), em entrevista para o site Good Housekeeping.

Como exemplo, ele aponta o corpo “em forma de pera”, com a parte superior fina e mais gordura ao redor das coxas e quadris, e pessoas que possuem forma de “maçã” com mais gordura ao redor da cintura, mas braços e pernas finos.

“A ideia de tipos de corpo surgiu para comparar a forma à personalidade e comportamentos delinquentes. Os métodos mais atuais de avaliação envolvem olhar para medidas objetivas, como a quantidade de massa gorda e massa livre de gordura que um indivíduo tem”, esclarece o especialista ao site.

O que é a dieta endomorfa?

Como as pessoas classificadas como endomorfas possuem corpo com níveis mais altos de gordura, a maioria das dietas destinadas a esse público dá preferência para a ingestão de proteínas e gorduras e, ao mesmo tempo, a limitação dos carboidratos.

“Normalmente recomendo às minhas clientes uma dieta com baixo teor de carboidratos, mas não a cetogênica, pois descobri que a maioria das mulheres com quem trabalho acha difícil manter uma dieta keto por um longo período de tempo”, diz a personal trainer e nutricionista americana Rachael Attard, também em entrevista ao Good Housekeeping.

Ela aconselha as pessoas com corpo endomorfo a se concentrarem em fontes saudáveis de proteína e gordura, como peixes, carne magra, ovos, feijão, abacate, nozes, coco e azeite de oliva.

Os endomorfos não precisam eliminar completamente os carboidratos, segundo Attard. Vegetais, batata-doce, aveia, frutas vermelhas e legumes são opções de açúcares complexos. “Quando se trata de carboidratos, recomendo ingeri-los após o treino, pois é quando seu corpo os usa para reabastecer e construir músculos, não para armazenar gordura”, diz a nutricionista.

Dieta para endomorfos tem base científica?

Embora uma dieta baixa em carboidratos possa funcionar para algumas pessoas com corpo endomorfo, não é uma estratégia infalível para todos com esse somatotipo.

“Geralmente, esse tipo de padrão alimentar gira em torno da alteração da ingestão de macronutrientes com base na relação entre gordura corporal e massa muscular. Dizer que há evidências científicas robustas que sustentam esse padrão alimentar como forma de melhorar a saúde pública seria enganoso e impreciso”, diz o nutricionista americano Ryan D. Andrews, ao site Good Housekeeping.

De acordo com ele, é possível que o padrão alimentar endomorfo possa ajudar uma pessoa a atingir as metas de peso, mas também pode afetar as necessidades básicas da alimentação.

“Essa dieta para o tipo corporal cria regras e regulamentos que tornam as escolhas nutricionais do dia a dia desnecessariamente complicadas e restritivas, o que pode levar a uma alimentação excessiva, uma preocupação com certos alimentos e pode até mesmo afastar alguém de seus objetivos”, completa Andrews.

O especialista alerta que é preciso enfatizar uma variedade de alimentos minimamente processados; comer muitos vegetais; garantir a ingestão de proteínas; eliminar deficiências de nutrientes; perceber e responder aos sinais de fome e saciedade; comer devagar; e manter-se hidratado com bebidas que não contenham açúcares adicionados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.