Terapia hiperbárica pode ajudar a reverter o envelhecimento, diz estudo

A pesquisa realizada em Israel descobriu que a oxigenoterapia pode evitar a redução das estruturas das pontas do DNA, que são associadas ao envelhecimento precoce

Cadeia de DNA - Pixabay

Sessões de oxigenoterapia na câmara hiperbárica reduziram a perda de tamanho dos telômeros do DNA em estudo recente (Foto: Pixabay)

Cada vez que uma célula dentro de seu corpo é duplicada, um pedaço de sua juventude se desfaz. Isso ocorre por meio do encurtamento dos telômeros, estruturas que “cobrem” as pontas das moléculas de DNA.

Agora, cientistas israelenses dizem que foram capazes de reverter esse processo e estender o comprimento dos telômeros num estudo envolvendo 26 pacientes e que foi publicado na revista científica Aging na última quarta (18/11).

Os participantes usaram uma câmara de oxigênio hiperbárica por cinco sessões semanais de 90 minutos durante três meses e, como resultado, alguns dos telômeros de suas células foram estendidos em até 20%.

É um achado impressionante – e algo que muitos pesquisadores tentaram no passado sem sucesso. Mas é preciso salientar que esse resultado provém de uma amostra muito pequena, e precisará ser replicado antes que possa ser considerado eficiente.

No entanto, o fato de que a oxigenoterapia hiperbárica parece afetar o comprimento dos telômeros é um elo atraente que vale a pena nova investigação.

“Após o experimento com gêmeos feito pela Nasa [agência espacial dos EUA], no qual um dos irmãos foi enviado para o espaço e o outro ficou na Terra, demonstrando uma diferença significativa no comprimento dos telômeros, percebemos que mudanças no ambiente externo podem afetar o núcleo celular, onde acontece o envelhecimento”, comenta Shair Efrati, da Universidade de Tel Aviv, um dos autores do estudo, em entrevista para o site ScienceAlert.

Os telômeros são as camadas protetoras das pontas do cromossomo e acabam perdendo tamanho a cada duplicação celular (Foto: ReSource Project/Reprodução)

Telômeros se desgastam

Localizados nas pontas dos cromossomos, os telômeros são duplicados junto com o restante do DNA, toda vez que uma célula se divide.

A cada replicação, pequenos fragmentos de código da ponta do material genético não conseguem se manter na nova cópia, deixando o cromossomo recém-fabricado um pouco mais curto do que seu predecessor.

“Telômeros mais longos se correlacionam com melhor desempenho celular”, explica Efrati ao site.

Existem muitas maneiras de acelerar a erosão de nossos telômeros. Não conseguir dormir o suficiente; comer muita comida processada; e, segundo cientistas, talvez até ter filhos.

Já para evitar a perda do tamanho dos telômeros, praticar exercícios regularmente e comer bem são boas apostas.

Compreendendo o novo estudo

Como mostram os cientistas israelenses, a chave para proteger os telômeros, ao que parece, é a oxigenoterapia hiperbárica: absorção de oxigênio puro enquanto se fica sentado em uma câmara pressurizada por longos períodos.

No caso do estudo, os participantes realizaram cinco sessões de 90 minutos por semana durante três meses.

A oxigenoterapia costuma gerar polêmica porque é associada ao tratamento de uma série de doenças. Geralmente é o tipo de terapia que um mergulhador precisa receber após passar um tempo nas profundezas do oceano, ou para matar micróbios sensíveis ao oxigênio em uma ferida que simplesmente não cicatriza.

“Uma vez que tenhamos demonstrado o efeito reverso do envelhecimento no estudo, usando o protocolo da terapia hiperbárica, mais testes são necessários para otimizar o protocolo específico para cada indivíduo”, afirma Shair Efrati ao ScienceAlert.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.