Novo estudo descarta eficácia da hidroxicloroquina no tratamento da covid-19

Cientistas avaliaram como o medicamento para malária, artrite e lúpus poderia ajudar pacientes que o utilizavam antes da epidemia do novo coronavírus

Pílulas - Pixabay

Mais uma vez a eficácia da hidroxicloroquina foi colocada à prova no combate ao novo coronavírus (Foto: Pixabay)

Usada pelo presidente Jair Bolsonaro como recomendação no tratamento da covid-19, a hidroxicloroquina é tradicionalmente usada para artrite reumatoide e lúpus e também para a malária.

Apesar da insistência do governo brasileiro no uso desse remédio, mais um estudo aponta sua ineficácia para a infecção causada pelo novo coronavírus (SARS.CoV-2).

Publicada na revista científica Rheumatology, do grupo The Lancet, no dia 5 de novembro, a pesquisa investigou se o uso contínuo de hidroxicloroquina durante seis meses antes do surto de covid-19 na Inglaterra foi associado a um menor risco de mortalidade pela doença.

Como foi o estudo

De acordo com o artigo recém-publicado, entre 1º de setembro de 2019 e 1º de março de 2020, de 194.637 pessoas com artrite reumatoide ou lúpus eritematoso sistêmico, 30.569 (15,7%) receberam duas ou mais prescrições de hidroxicloroquina.

Entre 1º de março e 13 de julho de 2020, ocorreram 547 mortes por covid-19, 70 entre usuários de hidroxicloroquina.

“A mortalidade cumulativa padronizada e estimada por covid-19 foi de 0,23% entre os usuários e 0,22% entre os não usuários; uma diferença absoluta de 0,08%. Após levar em consideração idade, sexo, etnia, uso de outras drogas imunossupressoras e região geográfica, nenhuma associação com mortalidade por covid foi observada”, afirmam os cientistas no estudo.

Segundo eles, não houve evidências de vínculos entre a hidroxicloroquina e a idade dos pacientes avaliados ou outras drogas imunossupressoras usadas no tratamento.

“Não encontramos nenhuma evidência de mudança na mortalidade por covid-19 das pessoas que receberam hidroxicloroquina para tratamento de doença reumatológica antes do surto de coronavírus na Inglaterra”, esclarecem os pesquisadores.

Portanto, como mostra o estudo, são necessários mais ensaios clínicos randomizados para investigar se o uso profilático de hidroxicloroquina na prevenção de sintomas mais graves causados pelo SARS-CoV-2 é seguro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.