Nova teoria diz que viagem no tempo é possível

Estudo australiano consegue evitar o famoso paradoxo “do avô” na viagem ao passado e, ao menos em teoria, abre caminho para a existência de viajantes do tempo

Ilustração de Tempo se Desfazendo - Pixabay

Usando um novo modelo matemático, cientistas australianos mostram que em teoria a viagem no tempo é possível e não gera paradoxos (Foto: Pixabay)

Quando se fala em viagem no tempo, especialmente no retorno ao passado, não parece nada factível. Porém, uma nova teoria, publicada no jornal científico Classical and Quantum Gravity no final de setembro, pode ter solucionado o paradoxo do avô, principal problema para quem quiser voltar no tempo.

É verdade que algumas interpretações da física teórica afirmam que retornar ao passado é possível. Albert Einstein, por exemplo, estava ciente de que suas equações permitiam, em princípio, viagens no tempo.

Essa possibilidade teórica, entretanto, esbarra no que os cientistas chamam de “paradoxo”, que tornaria logicamente impossível que a viagem acontecesse.

Neto “mata” o avô

Para entender o que é um paradoxo, o melhor exemplo é do neto e do avô.

Se você viajasse ao passado e acabasse matando seu avô, antes que ele pudesse gerar seu pai, como teria nascido e conseguido retornar no tempo?

Essa possibilidade gera um loop infinito (sequência sem fim) que cria inconsistência lógica e destrói a ilusão de viagem no tempo.

Existem muitos paradoxos, mas esse é um dos mais famosos.

Teoria acha uma alternativa

Para resolver o paradoxo “do avô”, várias teorias já foram propostas, mas agora, uma pesquisa realizada na Austrália propõe uma solução matemática para evitá-lo.

Os pesquisadores queriam analisar como a dinâmica de um corpo, ou seja, seu movimento no espaço-tempo, se comporta ao entrar numa curva de viagem ao passado.

Para isso, criaram um modelo matemático que calculou como um “agente” que entra no loop de viagem ao passado pode seguir caminhos diferentes sem alterar o resultado de suas ações.

O exercício abstrato mostra que vários agentes podem se comunicar no passado e no presente, sem uma relação de causa e efeito.

Então isso significa que “os eventos se ajustam, então sempre haverá uma única solução consistente”, afirma o pesquisador Germain Tobar, da Universidade de Queensland, principal autor do estudo, citado pela agência estatal britânica BBC.

O que isso significa?

Caso um cientista pudesse retornar a 2019, encontrar o paciente zero da covid-19 e o curasse, não evitaria a pandemia do novo coronavírus que vem assolando o mundo em 2020.

Ou seja, você teria livre arbítrio para executar qualquer ação, mas não poderia impedir o desencadeamento da pandemia.

Pode acontecer, por exemplo, que enquanto você tenta impedir que a infecção do paciente zero se espalhe, outra pessoa fique infectada, incluindo você mesmo.

De acordo com o modelo matemático de Germain Tobar, os eventos mais relevantes seriam calibrados constantemente para evitar qualquer inconsistência (paradoxo) e assim chegar sempre ao mesmo resultado, nesse caso, o início da pandemia.

Vale dizer que o estudo australiano é aplicável apenas de forma abstrata no campo da matemática. Tobar diz à BBC que esse é precisamente o desafio que eles têm agora: colocar o modelo à prova num ambiente físico.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.