Asteroide descoberto em Marte pode ser “irmão perdido” da Lua

Cientistas avaliaram a superfície da rocha espacial e suas características são similares às do satélite natural da Terra

Asteroide - Pixabay

O asteroide troiano 1998 VF31 pode ter sido parte da nossa Lua no início da formação do Sistema Solar (Foto: Pixabay)

Astrônomos irlandeses encontraram um asteroide “escondido” atrás de Marte que acreditam ser o “gêmeo perdido” da nossa Lua.

A descoberta, que será publicada na edição de janeiro de 2021 da revista científica Icarus, foi realizada pelo observatório e planetário Armagh, na Irlanda do Norte.

O asteroide, identificado como 1998 VF31, possui uma composição muito semelhante à do satélite natural da Terra.

Detritos espaciais que orbitam planetas são conhecidos como troianos em astronomia. Eles ficam presos na força gravitacional até 60º na frente ou atrás do corpo celeste.

Curiosamente, é mais fácil encontrar troianos em outros planetas do que no nosso, porque os que acompanham a órbita da Terra estão muito perto do Sol, o que torna difícil a detecção usando telescópios.

Identificando o “irmão” da Lua

O asteroide troiano que está preso na órbita de Marte foi analisado por meio do espectrógrafo do observatório Armagh – instrumento mede diferentes comprimentos de onda da luz.

Cientistas compararam os reflexos do espectro de luz com os de outros corpos do Sistema Solar e, embora tenham descoberto que a superfície do 1998 VF31 não combinava com a de outros meteoros ou asteroides, era muito parecida com a da nossa Lua.

“O espectro desse asteroide em particular parece ser como as partes da Lua que possuem leito rochoso exposto, como interiores de crateras e montanhas”, afirma o astrônomo Galin Borisov, um dos autores do estudo, citado pelo jornal britânico The Independent..

A estimativa é que o asteroide adquiriu suas características devido à exposição contínua à radiação solar, efeito conhecido como “meteorização espacial”. Ainda assim, é possível que tenha sido parte da Lua.

“Em seu início, o Sistema Solar era muito diferente que vemos hoje. O espaço entre os planetas recém-formados estava cheio de destroços e as colisões eram comuns”, afirma o astrônomo Apostolos Christou, coautor do estudo, também citado pelo jornal.

Um fragmento da colisão cm nosso satélite natural pode ter alcançado a órbita de Marte quando o Planeta Vermelho ainda estava se formando e acabou preso nas nuvens de troianos.

Embora esse seja um cenário possível, cientistas também especulam que o 1998 VF31 pode ter se originado em Marte.

Pela análise do espectro de luz do asteroide, os cientistas puderam inferir que ele é rico em piroxênio, que é encontrado na camada externa de corpos celestes do tamanho de planetas.

“Marte, assim como a Lua e a Terra, foi golpeado por impactos no início de sua história, um deles foi o responsável pela gigantesca bacia Borealis, uma cratera do tamanho do próprio planeta”, comenta Christou ao The Independent.

Esse impacto pode ter arrancado o troiano do Planeta Vermelho.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.