Entenda o aneurisma cerebral que matou o apresentador Tom Veiga

Rompimento de artéria no cérebro causa o Acidente Vascular Cerebral do tipo isquêmico e tem como principal sintoma a dor de cabeça intensa

Tom Veiga e Ana Maria Braga

Tom Veiga, o Louro José do programa Mais Você, foi vítima de um aneurisma cerebral no último final de semana (Foto: Instagram/tomveiga_/Reprodução)

No último domingo (1º/11), o ator e apresentador Tom Veiga, que interpreta o personagem Louro José no programa matinal Mais Você, da Rede Globo, ao lado de Ana Maria Braga, foi encontrado morto em sua casa no Rio de Janeiro. Nesta segunda (2/11), durante a atração, a apresentadora fez questão de dizer que seu colega faleceu devido a um aneurisma.

Vale lembrar que em 2017, Tom Veiga, que faleceu aos 47 anos, chegou a se afastar do Mais Você para realizar um cateterismo no coração, procedimento que ajuda a desentupir artérias.

De acordo com o professor Octávio Pontes Neto, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Predo da Universidade de São Paulo (USP), o aneurisma cerebral pode atingir até 1% da população.

Entenda o problema

“O acometimento é a dilatação da parede das artérias do cérebro, que pode expandir, romper-se e levar à hemorragia cerebral. A dilatação não costuma causar sintomas, mas, ao romper, o paciente pode sentir dor de cabeça intensa e explosiva, com início súbito”, revela o especialista em entrevista para a Rádio USP em 2017.

Pontes Neto conta que o tratamento pode ser realizado por meio de cirurgia, para contenção do aneurisma, ou por procedimento endovascular, também conhecido como cateterismo, que coloca pequenas molas dentro das artérias para excluir o problema. “Entretanto, casos mais graves podem levar o paciente a óbito ou ao coma”, alerta Pontes Neto.

O professor da USP completa dizendo que para confirmar o diagnóstico é preciso fazer ressonância magnética ou tomografia computadorizada.

“Estudos sugerem que não é necessário fazer esses exames em todos os pacientes, porque nem todos os casos de aneurismas levam ao rompimento. Assim, a investigação acontece para pessoas com histórico de Acidente Vascular Cerebral [AVC] hemorrágico por aneurisma, doença renal policística e neurofibromatose, por exemplo”, diz Octávio Pontes Neto.

Sintomas

Na maioria das vezes o aneurisma não apresenta sintomas, sendo identificado apenas no momento de sua ruptura. De acordo com professor da USP, a pessoa que sofre o rompimento do aneurisma “apresenta um quadro súbito de cefaleia explosiva”, ou seja, uma dor de cabeça extremamente forte e única.

Em casos específicos, o aneurisma pode ser tratado quando identificado antes de chegar à ruptura, desde que esteja em um local apropriado e tenha um tamanho adequado para passar por tratamentos preventivos ou neurocirúrgicos.

Ele lembra que o problema possui sintomas parecidos com o do AVC hemorrágico, que é caracterizado pela ruptura de uma artéria que leva sangue ao cérebro e causa sintomas como fraqueza de um lado do corpo, dificuldade para falar e enxergar, perda súbita da visão, dificuldade para andar, dor de cabeça e pressão elevada.

Segundo o professor, apesar de não ser tão comum quanto o isquêmico, o AVC hemorrágico tem taxa de mortalidade de 60%. Além disso, pode causar irritação das meninges e do parênquima cerebral e aumento da pressão intracraniana.

(com Rádio USP)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.