Bebê morre após ter coração perfurado por cateter de alimentação

Caso foi registrado no Reino Unido e família do menino de 5 meses está processando o hospital por negligência médica

Imagem de bebê - Pixabay

Um bebê de 5 meses morreu num hospital britânico após ter o coração perfurado pelo cateter usado na alimentação (Foto: Pixabay)

O hospital Royal Manchester Children’s Hospital, do Reino Unido, inseriu incorretamente um tubo de alimentação e acabou perfurando o coração do pequeno Noah Jesse McGrath, de 5 meses, que morreu devido a danos cerebrais e uma parada cardíaca alguns dias depois.

Em entrevista à versão britânica do jornal Metro, divulgada no último domingo (25/10), os pais do bebê, Victoria Johnston-Millin e Sean McGrath, afirmam que se sentiram ignorados pelo hospital.

“Como muitos pais, posso não ser uma especialista médica, mas eu sabia que algo estava muito errado com Noah e não queria vê-lo ser rejeitado do jeito que estava sendo”, comenta Victoria ao periódico.

O menino nasceu com gastrosquise, condição que deixa um buraco no abdômen, que foi reparado horas depois de seu nascimento. A família conta ao Metro que ele se recuperou bem e que “estava normal, brincado com os amiguinhos e passando o tempo com os irmãos”.

A mãe de Noah observa que, embora a condição do filho significasse que ele passou muito tempo no hospital, a esperança é que levasse uma vida normal.

Entenda o caso

Segundo o Metro, em dezembro de 2018, Noah estava desidratado, sem conseguir se alimentar, e foi internado no hospital para que os médicos colocassem um cateter central de inserção periférica (PICC) em seu peito. Ele permite que sejam administrados nutrientes ao paciente.

Victoria Johnston-Millin conta ao jornal que o filho estava “se recuperando bem”, mas acordou na manhã do dia 2 de janeiro de 2019 se sentindo mal. Ela tentou por várias vezes dizer à equipe médica que algo estava errado com Noah.

“Eu estava gritando por ajuda, estava chorando. Por volta da 1h, pedi ajuda um médico e, por volta das 3h, ele se foi. Seus olhos estavam fechados e não respondia. Disseram-me que ele estava bem. Ele teve uma parada cardíaca três horas depois, é isso que está me consumindo”, diz a britânica ao Metro.

Noah foi transferido para a unidade de terapia intensiva por volta das 8h após ter tido a parada cardíaca, que o deixou com graves danos cerebrais antes de morrer nos braços dos pais no dia 9 de janeiro.

“A morte de Noah nos deixou com muitas perguntas. Primeiro, como o PICC foi inserido incorretamente? Como ninguém percebeu isso? Como sua mãe, também levantei dúvidas sobre sua condição várias vezes. Isso não foi levado a sério. Nada pode trazer Noah de volta, mas queremos garantir que mudanças sejam feitas para evitar que isso aconteça com outras famílias”, comenta Victoria.

A família entrou com um processo na justiça britânica contra o Royal Manchester Children’s Hospital, por negligência médica.

“Desejamos nossas mais profundas condolências à família de Noah McGrath. Pedimos desculpas sem reservas à família de Noah pois o atendimento prestado na ocasião ficou bem abaixo dos nossos padrões. A fundação iniciou uma investigação detalhada para examinar as circunstâncias da triste morte de Noah em 2019 e uma série de medidas foram implementadas para garantir que continuemos a melhorar o atendimento e a segurança de todos os pacientes”, diz a fundação mantenedora do hospital, a NHS Foundation Trust da Universidade de Manchester, ao jornal Metro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.