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Uso de plasma com anticorpos contra a covid-19 não é tão eficaz

Uso de plasma com anticorpos em doentes não é uma novidade e foi utilizado na pandemia de gripe espanhola no início do século passado (Foto: Pixabay)

Anunciado pelo presidente Donald Trump como um tratamento inovador, o uso de plasma sanguíneo contendo anticorpos contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2) em pacientes com covid-19 não é tão eficaz.

Segundo estudo publicado na última quinta (22/10) no jornal científico British Medical Journal, o plasma “convalescente” (como é chamado o componente do sangue de pacientes recuperados da infecção) tem apenas eficácia limitada e não consegue reduzir as mortes ou interromper a progressão da covid-19.

Como se sabe, o plasma é a parte límpida e amarelada do sangue que transporta glóbulos brancos e vermelhos e plaquetas por todo o corpo. Após uma infecção, o plasma costuma estar repleto de anticorpos gerados pelo sistema imunológico.

Às vezes, ele é colhido de pessoas que se recuperaram de uma doença e inserido em pacientes que estão lutando contra ela. A terapia de plasma convalescente foi usada durante a pandemia de gripe de 1918, bem como durante emergências globais de saúde mais recentes, tratando pacientes com SARS e ebola.

Como foi a pesquisa

O estudo recém-publicado envolveu 464 adultos com covid-19 moderado que foram internados em hospitais na Índia entre abril e julho. Aproximadamente metade recebeu duas transfusões de plasma convalescente, com 24 horas de intervalo, além do tratamento padrão, enquanto o grupo de controle recebeu apenas o tratamento padrão.

Um mês depois, 19% dos que receberam o plasma progrediram para doença grave ou morreram de qualquer causa, em comparação com 18% no grupo de controle. A terapia de plasma, no entanto, pareceu reduzir os sintomas, como falta de ar e fadiga, após sete dias.

Os pesquisadores indianos afirmam que outros estudos usando altos níveis de anticorpos podem ser mais eficazes.

Para o professor Paul Morgan, da Universidade de Cardiff, no Reino Unido, citado pelo jornal britânico The Guardian, há razões para otimismo. Por um lado, diz ele, o estudo sugere que a terapia de plasma está associada a uma redução na carga viral, “então, parece haver um efeito antiviral da terapia, mesmo que não se reflita nos resultados finais”.

O estudo também sugere que fornecer grandes quantidades de plasma a pacientes pode levar a um aumento pequeno, mas significativo, nas mortes. “Pode valer a pena considerar, em vez de dar apenas plasma convalescente, retirar os anticorpos e usá-los”, afirma Morgan ao The Guardian.

Esses anticorpos purificados já são usados para tratar pacientes com deficiências do sistema imunológico, pela chamada imunoterapia.

Categories: Ciência
João Paulo Martins:

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