“Síndrome de Kessler” pode ser a nova ameaça à vida na Terra

Não se trata de vírus ou doença: humanidade pode colher os frutos dos milhões de destroços existentes na atmosfera terrestre

Lixo Espacial - Nasa

Estimativas apontam a existência de 129 milhões de fragmentos orbitando a Terra, sendo 34.000 com cerca de 10 cm (Foto: Nasa ODPO/Divulgação)

Ainda não superamos a ameaça causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) e um novo problema surge no horizonte: a “Síndrome de Kessler”.

Mas, não se trata de um novo micro-organismo capaz de gerar uma pandemia. Diz respeito a um perigo localizado na atmosfera da Terra e que pode afetar a vida como a conhecemos.

A “síndrome” surgiu em 1991 graças ao astrofísico Donald Kessler, da Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (Nasa). Trata-se de uma possível reação em cadeia produzida pela colisão de fragmentos de destroços que orbitam nosso planeta.

Esse fenômeno quase ocorreu na última quinta (15/10), quando dois grandes destroços espaciais (um antigo satélite soviético e um corpo de foguete chinês) por pouco se chocaram sobre o sul do oceano Atlântico.

De acordo com Kessler, os choques em cadeia fariam com que surgissem ainda mais fragmentos, o que poderia significar a destruição de todos os satélites artificiais que orbitam a Terra e impedir as missões ao espaço.

O problema do lixo espacial

Para entender a “Síndrome de Kessler” é necessário compreender o que acontece a milhares de quilômetros da superfície da Terra.

Na atmosfera, especialistas da Agência Espacial Europeia (ESA) estimam que existam cerca de 129 milhões de fragmentos circulando o planeta. Desse total, cerca de 34.000 têm pelo menos 10 cm.

Ainda pior, podem haver cerca de 166 bilhões de pedaços menores que um centímetro. “Pequenos fragmentos também são perigosos”, diz o astrofísico Holger Krag, da ESA, citado pelo jornal argentino El Clarín.

Para o astrofísico Jonathan McDowell, da Universidade de Harvard (EUA), também citado pelo periódico, devem existir quase 7.200 toneladas de detritos espaciais, especialmente restos de sondas e foguetes fabricados e lançados pela Nasa.

Mas o problema não termina aí: mais de 75% desses resíduos nem mesmo são conhecidos. Todos realizam a órbita geossíncrona (igual à da Terra), a mesma em que se encontram os satélites de telecomunicação.

No ano passado, a ONG Security World emitiu um alerta depois que a Índia realizou testes de mísseis antissatélite, o que aumentou em 5% a chance de colisões com entulhos espaciais.

Plano da Nasa

Longe de ficar de braços cruzados, as diferentes agências espaciais do planeta já entendem a ameaça da “Síndrome de Kessler” e estão buscando soluções.

A Nasa, por exemplo, está desenvolvendo um dispositivo sofisticado especialmente projetado para coletar e remover detritos espalhados na órbita terrestre.

Trata-se de um satélite chamado Captura e Eliminação de Naves Obsoletas (OSCAR, na sigla em inglês) que levará redes coletoras a bordo e funcionará de forma autônoma, com orientação mínima dos controladores na Terra.

“Dizemos ao Oscar o que fazer e então temos de confiar nele”, afirma Kurt Anderson, do Instituto Politécnico Rensselaer (EUA), um dos responsáveis pelo projeto, citado pelo El Clarín.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.