Cidade italiana tem dois moradores e eles insistem em usar máscara

O bucólico vilarejo de Nortosce é habitado por dois aposentados que decidiram se proteger da covid-19 mantendo o distanciamento entre si e usando a proteção facial

Únicos Moradores de Nortosce na Itália

Giovanni Carilli and Giampiero Nobili são aposentados e únicos moradores de Nortosce, na região italiana de Úmbria (Foto: Facebook/5Días/AMSA/Silvia Marchetti/Reprodução)

O pequeno vilarejo de Nortosce, na Úmbria, Itália, possui apenas dois moradores, os idosos aposentados Giovanni Carilli e Giampiero Nobili, que insistem em usar máscara contra a covid-19 sempre que se encontram.

Além disso, eles fazem questão de manter a distância de um metro, apesar de não terem vizinhos e raramente deixarem a isolada cidade.

Popular entre os turistas, Nortosce fica acima de um desfiladeiro rochoso no Vale Nerina a uma altitude de 900 m, tornando-o de difícil acesso.

Mas, apesar de sua localização remota, nem Carilli, de 82 anos, nem Nobili, de 74, se sentem protegidos do vírus, que já ceifou a vida de quase 37 mil pessoas na Itália.

“Estou morrendo de medo do vírus. Se eu ficar doente, fico sozinho, quem vai cuidar de mim? Estou velho, mas quero continuar morando aqui, cuidando de minhas ovelhas, vinhas, colmeias e pomar. Caçando trufas e cogumelos. Aproveito minha vida”, diz Giovanni Carilli em entrevista à emissora americana CNN.

Para Giampiero Nobili, seria desrespeitoso se qualquer um deles ignorasse as medidas rígidas postas em prática durante a pandemia, apesar de suas circunstâncias bastante excepcionais.

O vilarejo de Nortosce é de difícil acesso, o que garante a tranquilidade para dos dois amigos aposentados (Foto: Facebook/5Días/AMSA/Silvia Marchetti/Reprodução)

“Usar máscara e respeitar o distanciamento social não é apenas uma questão de saúde. Não é algo ‘mau’ ou ‘bom’. Se existem regras, você precisa obedecê-las para o seu próprio bem e para o bem de outras pessoas. É uma questão de princípio”, comenta o aposentado italiano à emissora.

Quando a dupla se encontra para tomar um expresso na casa de Carilli, eles se sentam numa mesa de dois metros de comprimento, um em cada extremidade. Eles também mantêm o distanciamento social durante as caminhadas regulares até uma fonte de pedra da época dos romanos para coletar água potável.

Giovanni Carilli nasceu na aldeia, mas passou grande parte de sua vida produzindo carnes curadas em Roma, antes de voltar a morar na casa de sua infância após a aposentadoria.

Já Giampiero Nobili, irmão do cunhado de Carilli, também escolheu residir aqui quando já estava com idade avançada.

Além de terem um ao outro, seus únicos companheiros são o cachorro de Carilli e as cinco ovelhas que ele mantém no quintal – embora ocasionalmente se encontrem com familiares fora do povoado.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.