Pacientes com covid de longa duração estão sendo desacreditados

Estudo feito na Inglaterra mostra que os sintomas de longo prazo da covid-19 não são fáceis de associar à doença e que muitos pacientes deixam de ser atendidos porque os médicos não acreditam neles

Montagem Covid-19 - Pixabay

O novo coronavírus pode provocar sintomas variados que duram mais de duas semanas e que se confundem com de outros problemas de saúde (Foto: Pixabay)

Os pacientes com a chamada covid de longa duração, quando os sintomas permanecem além de duas semanas, deveriam ter permissão para fazer o autodiagnostico, afirmam pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisa em Saúde do Reino Unido, em relatório divulgado nesta quinta (15/10).

Os cientistas acreditam que centenas de milhares de pessoas estão sofrendo os efeitos colaterais de longo prazo da covid-19, incluindo falta de ar, fadiga crônica, “névoa cerebral” e ansiedade.

No relatório, os especialistas dizem que as chances de desenvolver sintomas de longa duração não estão necessariamente relacionadas à gravidade da infecção pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2).

Essa é uma das razões pelas quais muitos pacientes têm dificuldade para persuadir os médicos de que realmente estão sofrendo com a infecção que gerou a pandemia, alertam os pesquisadores.

Sintomas duram mais tempo

“Pessoas que pedem ajuda estão sendo informadas que devem se recuperar dentro de duas a três semanas, mas ouvimos pacientes que ainda não conseguem trabalhar, estudar ou cuidar de dependentes sete meses depois da infecção inicial”, diz a médica Elaine Maxwell, uma das autoras do relatório, citada pelo jornal britânico The Telegraph.

Ela acrescenta: “Acreditamos que o termo covid de longa duração está sendo usado como algo genérico para mais de uma síndrome, possivelmente até quatro. E a falta de distinção entre essas síndromes pode explicar os desafios que as pessoas estão enfrentando para serem ouvidas e terem o devido atendimento”.

Como mostra a especialista, as novas evidências apontam que algumas vítimas da covid-19 sofrem de sintomas clássicos de doenças pós-críticas, para as quais os serviços de reabilitação são cruciais.

Enquanto isso, outros estão sofrendo de fadiga e névoa cerebral semelhantes a outras síndromes pós virais.

Também há evidências de danos permanentes a órgãos de alguns pacientes, particularmente nos pulmões e no coração.

Um outro grupo apresentou sintomas debilitantes que não se enquadram em nenhuma dessas categorias.

Sintomas variam muito

De acordo com o relatório, os sintomas associados à covid de longa duração não são “lineares”, o que significa que podem piorar meses após a infecção inicial.

As evidências também sugerem que estar em forma e saudável não protege os pacientes que contraíram o SARS-CoV-2 dos efeitos de longo prazo.

“Sentimos que é importante não limitar as definições e potencialmente excluir pessoas que estão sofrendo. Sugerimos a criação de um diagnóstico funcional e uma conta usando todos os registros clínicos para atendimento a qualquer pessoa que se apresente com autodiagnostico para covid de longa duração”, orienta Elaine Maxwell, citada pelo The Telegraph.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.