Novo exame de sangue pode “prever” risco da covid-19

Desenvolvido na Inglaterra, o teste sanguíneo identifica moléculas que causam a grave inflamação decorrente da infecção pelo novo coronavírus

Tubos de ensaio com sangue

Ao descobrir o risco de a covid-19 se agravar, teste de sangue poderá ajudar na escolha do melhor tratamento para o paciente (Foto: Pixabay)

Os pesquisadores da Universidade de Southampton, na Inglaterra, criaram um teste de sangue que pode ajudar a identificar se pacientes com covid-19 terão maior risco de deterioração e direcioná-los para tratamentos específicos.

O estudo, publicado no final de setembro no jornal científico Respiratory Research, mostra que o exame que identifica cinco citocinas (proteínas geradas nas células) pode ajudar a prever risco de superestimulação do sistema imunológico pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2).

As citocinas são moléculas de sinalização celular muito associadas à inflamação, liberadas na corrente sanguínea após uma infecção, ajudando a impulsionar as respostas imunes.

Em pacientes com covid-19 grave, o sistema imunológico pode reagir de forma exagerada, levando a um aumento maciço dos níveis de citocinas no sangue – gera a chamada “tempestade de citocinas”. Em vez de ajudar o corpo a combater o vírus, essa reação exagerada é extremamente prejudicial às células e tecidos do próprio organismo e pode ser fatal.

Identificar as moléculas mais propensas a essa resposta, combatendo a inflamação, pode ser um caminho fundamental para reduzir a gravidade da doença causada pelo SARS-CoV-2 e as mortes.

Identificação de pacientes de maior risco

O estudo da Universidade de Southampton analisou amostras de sangue de 100 pacientes com covid-19 entre 20 de março e 29 de abril de 2020, durante a primeira fase da pandemia.

Eles descobriram que níveis elevados de cinco citocinas (IL-6, IL-8, TNF, IL-1β e IL-33) no sangue dos pacientes estavam associados ao maior risco de internação em UTIs e CTIs, ao uso de ventilação artificial e de morte.

As citocinas IL-1β e IL-33 apresentaram o maior efeito negativo na pesquisa recente.

A combinação desse novo exame de sangue com uma avaliação clínica da condição dos pacientes pode ajudar os médicos a identificar e tratar aqueles com maior risco de deterioração.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.