Achado arqueológico confirma que Israel teve a primeira fundição da história

Restos de fornalha e de escória de cobre foram encontrados em Bersebá, no sul do país, e datam de 6.500 anos

Restos de fornalha em Israel

Arqueólogos encontraram restos de uma fornalha de 6.500 anos no deserto de Negev, no sul de Israel (Foto: Facebook/Israel Antiquities Authority/Reprodução)

Um achado no sítio arqueológico de Horvat Beter, em Bersebá, Israel, pode representar a primeira fornalha da história. De acordo com um estudo da Universidade de Tel Aviv e da Autoridade de Antiguidades de Israel, o objeto é datado de 6.500 anos.

Os resultados da pesquisa arqueológica, publicados no periódico científico Journal of Archaeological Science no final de setembro, mostram uma antiga oficina de fundição de minério de cobre, descoberta no bairro de Neveh Noy, em Bersebá, capital da região desértica de Negev, no sul israelense.

Os cientistas afirmam que a descoberta prova a teoria de que existia uma elite na sociedade daquela época que possuía conhecimentos e segredos profissionais, por exemplo, de como produzir cobre.

Fragmentos da história

O estudo recém-publicado teve início em 2017, quando a antiga oficina foi descoberta pela primeira vez em Negev e uma equipe de escavação de emergência da Autoridade de Antiguidades de Israel foi chamada para resgatar o material antes que o local desse origem a um bairro de Bersebá.

“A escavação revelou indícios de fundição do período calcolítico, há cerca de 6.500 anos. As descobertas surpreendentes incluem uma pequena oficina para fundir cobre com cacos de uma fornalha, feita de estanho, bem como muita escória de cobre”, afirma Talia Abulafia, diretora da escavação da Autoridade de Antiguidades de Israel, citada pela agência russa de notícias Sputnik.

Após a análise de isótopos de restos de minério, ficou evidente que o cobre havia sido transportado para Neveh Noy de Wadi Faynan, na atual Jordânia, a mais de 100 km de Bersebá.

A equipe precisou escavar às pressas o material arqueológico em Horvat Beter antes que um bairro ocupasse o local (Foto: Facebook/Israel Antiquities Authority/Reprodução)

Vale dizer que a metalurgia surgiu nas partes meridionais do Oriente Médio por volta de 4.500 a.C. e durante o período calcolítico (termo se refere a cobre e pedra em grego), de 4.000 a 3.000 a.C.

Durante todo esse tempo, quando o cobre foi refinado pela primeira vez, o processo tecnológico normalmente ocorria longe das minas, sem nenhuma razão óbvia, embora os pesquisadores tenham sugerido que isso foi feito para preservar o segredo do trabalho.

“É importante entender que o refino de cobre era a alta tecnologia da época. Não havia tecnologia mais sofisticada em todo o mundo antigo”, diz o pesquisador Erez Ben-Yosef, da Universidade de Tel Aviv, citado pela Sputnik.

Os cientistas envolvidos no estudo acreditam que, embora a sociedade da época ainda não fosse urbanizada, as novas evidências mostram que ela era hierárquica e que a posse de uma tecnologia como a fundição do cobre dava a alguém uma posição privilegiada.

Os objetos de cobre, diz a equipe, eram utilizados principalmente para fins ritualísticos e simbólicos, enquanto pedras eram usadas em utensílios do dia a dia.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.