Planta dos Andes pode ajudar a tratar câncer

A espécie exótica de tubérculo, conhecida como mashua, apresentou bons resultados em estudo feito pela Universidade Autônoma de Madri

Mashua - Wikimedia

Cientistas espanhóis descobriram propriedades anticâncer da mashua, planta exótica típica dos Andes (Foto: Wikimedia/Michael Hermann/Divulgação)

Em estudo publicado no jornal científico Phytochemistry de setembro, cientistas da Universidade Autônoma de Madri, na Espanha, demonstraram que moléculas da planta Tropaeolum tuberosum, conhecida como mashua, pode ajudar a tratar câncer de pulmão, rim, bexiga e próstata.

A espécie exótica é comum na Bolívia e foi coletada na província de Ingavi. Ela pode ser a esperança de uma possível terapia menos invasiva contra diferentes tipos de tumor.

A planta da família Tropaeolaceae é cultivada nos Andes, particularmente no Peru e na Bolívia, e consiste numa raiz comestível – pode ser consumida cozida ou assada, tal qual a batata.

Ela cresce em altas altitudes (perto de 3.800 m), exposta a condições climáticas extremas, como solos pobres, com pH levemente ácido, e maior exposição à radiação ultravioleta.

O ambiente insalubre faz com que a planta gere uma série de moléculas diferentes das produzidas por tubérculos cultivados em solos normais.

Estudos antigos

A equipe de químicos da Universidade Autônoma de Madri trabalha desde 2015 com o isolamento de moléculas de várias espécies de plantas provenientes dos Andes. E é a primeira vez que consegue isolar e descrever as substâncias da mashua.

No trabalho recém-publicado, são caracterizadas as seguintes moléculas da Tropaeolum tuberosum: 2-benzyl-3-thioxohexahydropyrrolo [1,2-c] imidazol-1-one (1); e N- (4-acetil-5-metil-5-fenil-4,5-di-hidro-1,3,4-tiadiazol-2-il) acetamida (2).

Segundo os autores, essas substâncias apresentam atividade anticâncer no tratamento de tumor no pulmão, rim, bexiga e próstata.

“A primeira das moléculas apresentou uma leve atividade citotóxica [destrói célula] contra todas as linhagens tumorais testadas. Já a segunda apresentou um potencial anticâncer significativo, matando células cancerosas mesmo em concentrações micromolares”, afirmam os cientistas espanhóis no estudo.

Ainda de acordo com os pesquisadores, as moléculas foram caracterizadas por análise espectroscópica de ressonância magnética nuclear e espectrometria de massa, e foram avaliadas quanto à sua citotoxicidade e capacidade apoptótica (morte celular programada).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.