Terra não deve ganhar uma mini-lua, e sim, mais um lixo espacial

A informação é de um astrônomo da Nasa que analisou a órbita do objeto 2020 SO, que, por enquanto, está sendo considerado um asteroide

Imagem da Lua - Pixabay

Em fevereiro, após a descoberta de um suposto asteroide que passaria a orbitar a Terra, muitos cientistas ficaram felizes com a possibilidade de ganharmos uma mini-lua (Foto: Pixabay)

Uma “mini-lua” (ou asteroide) descoberta em fevereiro deste ano pelo observatório Catalina Sky Survey, no Arizona (EUA), está vindo fazer parte da órbita da Terra – ficará a 43 mil km de distância da superfície do planeta.

No entanto, em vez de um corpo celeste, o objeto pode ser apenas um antigo lixo espacial que fez seu caminho de volta para cá.

Segundo o astrônomo Paul Chodas, do Centro de Estudos de Objetos Próximos à Terra da Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (Nasa), em entrevista à CNN, acredita que o objeto, denominado 2020 SO, é um antigo foguete da década de 1960.

Órbita muito incomum

“Eu suspeito disso porque está seguindo uma órbita em torno do Sol que é extremamente semelhante à da Terra, quase circular, no mesmo plano, e apenas um pouco mais afastado em seu ponto mais distante”, comenta o cientista à emissora americana.

Ele lembra que esse é justamente o tipo de órbita que um estágio de foguete separado de alguma missão espacial à Lua faria, uma vez que passasse pelo nosso satélite natural e escapasse para a órbita ao redor do Sol.

“É improvável que um asteroide pudesse ter evoluído para uma órbita como essa, mas não impossível”, completa Chodas.

O movimento da suposta mini-lua foi analisada de forma retrógrada para tentar ligá-la a qualquer missão lunar conhecida e o astrônomo descobriu que provavelmente estava na “vizinhança da Terra no final de 1966”.

Missão à Lua

Paul Chodas explica à CNN que o objeto que está a caminho da órbita da Terra provavelmente fez parte da missão Surveyor 2, lançada pela Nasa em 20 de setembro de 1966.

Essa missão foi projetada para ter um pouso suave na Lua, mas uma falha levou à queda da espaçonave, diz o cientista. O foguete Centauro que foi usado para impulsionar a nave passou pela Lua e entrou em órbita perto do Sol e não foi visto novamente, até agora, suspeita Chodas.

É provável que o objeto passe a fazer parte da órbita distante da Terra no final de novembro e, se for mesmo um asteroide, seria considerado uma mini-lua. No entanto, se for um pedaço do foguete como o astrônomo suspeita, será apenas mais um lixo espacial flutuando ao nosso redor – estima-se que existam 34 mil pedaços de 10 cm a estágios de foguetes inteiros; 900 mil partículas de até 10 cm; e aproximadamente 128 milhões menores que 1 cm.

Como mostra Paul Choda à CNN, é raro que estágios de foguetes perdidos sejam capturados pela órbita do Sol e, sem seguida, pela Terra. Esta seria apenas a segunda vez na história que um objeto desse tipo passaria a orbitar nosso planeta.

A outra vez que isso aconteceu foi em 2002, do que pode ter sido o estágio superior do Saturn V, foguete da missão Apollo 12, de 1969.

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