Cientistas britânicos encontram “ponto fraco” do coronavírus

O SARS-CoV-2 possui uma bolsa de ácido linoleico que é usada para infectar as células humanas e para a procriação do micro-organismo

Coronavirus - Pixabay

Ao atacar a bolsa de ácido linoleico do novo coronavírus, será possível impedir que ele cause infecção, afirmam os pesquisadores (Foto: Pixabay)

Cientistas da Universidade de Bristol, na Inglaterra, acreditam ter feito uma descoberta “revolucionária” na luta contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2).

No estudo publicado na última segunda (21/9) na revista científica Science, é descrita uma “bolsa” de ácido linoleico (ou ômega-6) na superfície do vírus que poderia ser usada em remédios antivirais para impedir o funcionamento do micro-organismo antes de infectar células humanas.

Segundo a pesquisa, o SARS-CoV-2 usa uma pequena molécula de ácido linoleico para invadir as células do hospedeiro e se espalhar.

Com isso, a equipe britânica acredita que há uma maneira de interromper o ômega-6 de favorecer a reprodução viral e, potencialmente, tornar o novo coronavírus incapaz de infectar.

Ponto fraco da covid-19

“Temos o ácido linoleico, uma molécula importante que está no centro dos problemas de quem tem covid-19, com consequências terríveis. E o vírus que está causando todo esse caos, de acordo com nossos dados, se agarra justamente a essa molécula, basicamente desarmando muitas das defesas do corpo”, explica o cientista Imre Berger, citado pelo tabloide britânico Daily Mail.

Segundo ele, a descoberta fornece a primeira ligação direta entre o ômega-6 (que é um ácido graxo) e as manifestações patológicas da infecção causada pelo SARS-CoV-2.

“A questão, agora, é como transformar esse novo conhecimento em terapia contra o vírus e derrotar a pandemia”, completa Berger.

Exemplo do resfriado

Os pesquisadores da Universidade de Bristol afirmam que há motivos para ficar esperançosos porque essa bolsa de ácido linoleico também existe no rinovírus, micro-organismo causador de resfriados, e foram capazes de impedir que ele causasse infecção.

De acordo com a pesquisadora Christiane Schaffitzel, a equipe está otimista porque uma estratégia semelhante pode ser adotada no desenvolvimento de antivirais à base dessas moléculas contra o coronavírus.

“A exemplo de outras doenças, sabemos que a alteração do metabolismo do ômega6 no corpo pode desencadear inflamação sistêmica, síndrome do desconforto respiratório agudo e pneumonia. Se olharmos para o HIV, após 30 anos de pesquisa o que funcionou, no final, foi um coquetel de drogas antivirais de pequenas moléculas que mantêm o vírus sob controle”, comenta a cientista britânica ao Daily Mail.

Abaixo, um vídeo (em inglês) da universidade explicando o estudo:

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.