Remédio para artrite reumatoide pode ajudar pacientes com covid-19 que tenham pneumonia

Um estudo realizado pela farmacêutica Roche mostra que o uso de Actemra em doentes hospitalizados ajudou a reduzir em 44% a necessidade de respirador

Remédio Actemra - Roche1

Medicamento para artrite reumatoide pode diminuir o risco pior do quadro de pneumonia em pacientes com coronavírus (Foto: Roche/Divulgação)

Na última sexta (18/9), a empresa farmacêutica suíça Roche divulgou um comunicado afirmando que seu medicamento Actemra (tocilizumabe), usado para artrite reumatoide, se adicionado ao tratamento padrão para pacientes com covid-19 que tenham pneumonia, pode reduzir em 44% o risco de uso de respirador ou de morte.

A fase III do estudo chamado Empacta, realizado pela Roche, envolveu pacientes que precisavam de oxigênio suplementar, mas não estavam doentes o suficiente para exigir respirador. Cerca de 85% dos 389 participantes eram negros e hispânicos. Ao final da fase, segundo a empresa, 12,2% dos pacientes que usaram Actemra progrediram para ventilação mecânica ou morreram, em comparação com 19,3% dos que receberam placebo.

No entanto, o tocilizumabe não demonstrou benefícios em várias medidas secundárias importantes. Mais notavelmente, não houve diferença significativa na taxa de mortalidade. No caso do placebo, 8,6% dos pacientes morreram; enquanto 10,4% dos que usaram Actemra também faleceram.

Diferenças pouco significativas

Como mostra o estudo da Roche, o medicamento para artrite reumatoide pareceu ajudar os pacientes a deixar o hospital mais rapidamente, embora a diferença na média de dias para alta – seis dias para o Actemra e 7,5 dias para o placebo – não fosse estatisticamente significativa.

Essa tendência favorável também apareceu no estudo anterior, apelidado de Covacta. Divulgado no final de julho, ele mostrou que o tempo médio até a alta hospitalar ou “pronto para ter alta” foi menor para o tocilizumabe (20 dias) em comparação com os 28 dias do placebo.

Mas o remédio falhou em superar o placebo em termos de melhora do estado clínico após quatro semanas, embora a probabilidade de melhora clínica fosse ligeiramente maior para o medicamento da Roche.

Da mesma forma, no estudo atual (Empacta), o Actemra levou uma média de seis dias para ajudar os pacientes a melhorar o estado clínico geral, enquanto os que receberam placebo observaram melhorias após sete dias. A diferença mais uma vez não se mostrou significativa.

O medicamento usado na artrite reumatoide gerou esperança nos primeiros dias da pandemia, quando médicos chineses relataram usá-lo para controlar reações perigosas do sistema imunológico em pacientes graves.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.