Estudo do governo americano vê relação entre covid-19 e problemas na gravidez

Dois relatórios elaborados pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA revelam que grávidas internadas com o novo coronavírus podem ter sérias complicações

Mulher grávida - Pixabay

O SARS-CoV-2 pode causar interrupção da gravidez, parto prematuro e outros problemas, segundo estudos do governo dos EUA (Foto: Pixabay)

Grávidas infectadas com o novo coronavírus (SARS-CoV-2) e que estejam hospitalizadas correm risco de desenvolver complicações e até parto prematuro, de acordo com estudos do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos. Há ainda chance de perda da gravidez ou de o bebê nascer morto.

As descobertas preocupantes mas os especialistas alertam que as descobertas, extraídas de um número relativamente pequeno de pacientes, podem não ser representativas das mulheres grávidas com covid-19.

Ainda de acordo com os estudos do CDC, muitas gestantes hospitalizadas com o vírus não apresentavam sintomas. Entre aquelas que tinham sinais da doença, entre 16% e 30% necessitaram de cuidados intensivos; e 6% a 8,5% precisaram de respiração artificial. Entre os 703 casos descritos nos dois relatórios, três mulheres morreram.

“Agora temos dados de sistemas de vigilância do CDC sugerindo que as mulheres grávidas podem ter risco aumentado de doença grave da covid-19”, diz a médica Denise Jamieson, membro da força-tarefa da covid-19 nos EUA, em entrevista para o jornal The New York Times.

Gravidez sempre demanda cuidados

É preciso lembrar que a gestação pode tornar as mulheres mais vulneráveis a infecções e doenças graves por vários motivos. Isso porque o sistema imunológico é suprimido durante a gravidez, para prevenir reações adversas ao feto, mas acaba aumentando os riscos de problemas virais.

Outras mudanças fisiológicas durante a gestação também podem aumentar a vulnerabilidade das mulheres. Os pulmões podem ser afetados pela expansão do útero e o sistema cardiovascular trabalha mais intensamente. O coronavírus também pode aumentar os riscos de coágulos sanguíneos e pouco se sabe sobre os efeitos na placenta, que nutre o feto.

“A mensagem para levar para casa é que as mulheres grávidas podem ficar gravemente doentes. Não sabemos com certeza se elas ficarão mais doentes do que se não estivessem grávidas, mas certamente há mulheres por aí que estão ficando muito doentes e até morrendo”, comenta o médico Peter Bernstein, do Centro Médico Montefiore, de Nova Iorque (EUA), também ao jornal americano.

Como foram os estudos

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças num dos estudos, avaliou 598 mulheres grávidas com covid-19 hospitalizadas em 13 estados entre 1º de março e 22 de agosto. A média de idade era de 30 anos e uma em cada cinco tinha um problema de saúde crônico, como asma e hipertensão. Cerca de 42% eram hispânicas e 26,5% negras.

Mais da metade dessas mulheres eram assintomáticas quando foram admitidas no hospital. Entre as 272 grávidas que apresentaram sintomas, 16% necessitaram de cuidados intensivos e 8,5% de respiradores. Duas mulheres morreram.

Das 598 mulheres nesse estudo, 458 completaram a gravidez durante a internação e 448 bebês nasceram com vida. Tanto as sintomáticas quanto as assintomáticas tiveram partos prematuros e perdas da gravidez. Os prematuros afetaram cerca de 25% das mulheres sintomáticas, em comparação com apenas 8% das assintomáticas. Dez mulheres do estudo, ou 2,2%, tiveram abortos espontâneos ou natimortos.

A outra pesquisa do CDC analisou 105 mulheres grávidas hospitalizadas entre 1º de março e 30 de maio infectadas com o SARS-CoV-2, a maioria admitida por motivos relacionados à gravidez ou em trabalho de parto. A idade média também era de 30 anos. A maioria era assintomática e mais da metade era hispânica.

Entre as que foram hospitalizadas com covid-19, as taxas de obesidade e diabetes gestacional foram maiores do que entre as que foram internadas por outros motivos. Cerca de 30% das infectadas pelo vírus necessitaram de cuidados intensivos e 14% precisaram de respiradores. Uma mulher morreu.

Das mulheres que deram à luz, 15% tiveram partos prematuros e 3%, natimortos. As taxas foram mais altas do que normalmente observado entre mulheres grávidas nas populações abrangidas pelo conjunto de dados usados no estudo, segundo o The New York Times.

“Os números eram pequenos e não controlamos alguns fatores, como histórico de gravidez anterior, se tiveram perdas de gestação no passado ou outras condições médicas que as colocaram em risco”, afirma o epidemiologista Lakshmi Panagiotakopoulos, do CDC e autor principal do segundo estudo, também em entrevista ao jornal.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.