Esperma de 100 milhões de anos é descoberto em Myanmar

Cientistas encontraram espermatozoides dentro de um fóssil de crustáceo do período Cretáceo, representando as células reprodutivas mais antigas já descobertas

Espermatozoides - Pixabay

Graças à preservação do âmbar, um fóssil de crustáceo fêmea de 100 milhões de anos ainda continha espematozoides dentro do órgão reprodutivo (Foto: Pixabay)

Preservado num pedaço de âmbar (seiva cristalizada), cientistas encontraram uma amostra de esperma animal de 100 milhões de anos.

A incrível descoberta estava dentro do sistema reprodutivo de uma fêmea de uma curiosa espécie de crustáceo original de Mianmar, no sudeste da Ásia.

O animal recebeu o nome científico de Ostracoda crustacea Myanmar Cypris e lembra um pouco o atual mexilhão.

Vale dizer que os ostracodes são pequenos seres marinhos que surgiram na Terra há cerca de 500 milhões de anos, durante o período Cretáceo, e ainda podem ser encontrados em oceanos, lagos de água doce e rios dessa região da asiática.

Análise do achado

Segundo informações divulgadas pela emissora americana CNN, por meio da tecnologia reconstrutiva de raios-X 3D, os cientistas analisaram vários espécimes de ostracodes, estudando seus membros e órgãos reprodutivos.

Foi então que acharam espermatozoides maduros dentro dos receptáculos de um crustáceo fêmea, que teria armazenado o esperma para liberação assim que os óvulos amadurecessem, se não tivesse sido envolvida pela resina pegajosa de uma árvore.

Os ostracodes são espécies que surgiram há 500 milhões de anos e ainda podem ser encontrados em Myanmar (Foto: Yang Dinghua/Divulgação)

“Essa fêmea deve ter acasalado pouco antes de ser envolvida na resina”, revela o paleontólogo He Wang, da Academia Chinesa de Ciências de Nanjing, citado pela CNN.

A descoberta em Myanmar se torna o esperma mais antigo já encontrado, duas vezes mais velho do que o encontrado anteriormente, de acordo com o estudo publicado na última quarta (16/9) no jornal científico Proceedings of The Royal Society.

Descoberta rara

Conforme os cientistas, espermatozoides fossilizados são muito raros. Essa estrutura reprodutiva já foi encontrada num ostracode de 17 milhões de anos e numa espécie de verme de 50 milhões de anos.

A análise das amostras de Myanmar também revelou detalhes raros dos órgãos internos e reprodutivos do crustáceo, incluindo o clásper masculino, bombas de esperma, hemipênis, ovos e receptáculos seminais femininos com espermatozoides gigantes.

“A complexidade do sistema reprodutivo nesses espécimes levanta a questão de se o investimento em células de esperma gigante pode representar uma estratégia evolutivamente estável”, comenta a geobiologista Renate Matzke-Karasz, da Universidade de Munique, também citada pela CNN.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.