Pacientes com covid-19 que tiveram alta podem ter sintomas persistentes

Estudo aponta que 12 semanas após a alta hospitalar, algumas pessoas ainda apresentavam problemas respiratórios sérios

Ilustração dos pulmões

Alguns doentes que tiveram alta hospitalar após a covid-19 podem manter problemas pulmonares por semanas, diz estudo (Foto: Freepik)

Segundo um estudo recente, muitos pacientes que foram hospitalizados com covid-19 correm o risco de apresentarem sintomas muito tempo após a alta.

Cerca de 3/4 das pessoas que tiveram problemas pulmonares decorrentes do novo coronavírus (SARS-CoV-2) podem ter sintomas tardios, de acordo com artigo disponibilizado pelo repositório científico medRxiv – ainda não foi examinado por especialistas externos ou publicado definitivamente.

Pesquisadores do hospital North Bristol NHS Trust, do Reino Unido, examinaram 110 pacientes com covid-19, cujas doenças exigiram internação hospitalar por uma média de cinco dias entre 30 de março e 3 de junho.

Doze semanas após a alta hospitalar, 74% dos pacientes relataram sintomas, incluindo falta de ar e fadiga excessiva.

Apesar desses sintomas, 104 dos 110 avaliados pelo estudo tiveram resultados normais de exame de sangue básico. Apenas 12% apresentaram radiografia anormal de tórax e 10% tiveram função pulmonar restritiva por meio de teste de espirometria.

Tratamento para casos persistentes

Um artigo divulgado pelo The British Medical Journal (BMJ) em agosto orienta profissionais de saúde sobre como tratar pacientes que tiveram sintomas persistentes da covid-19, estimando que até 10% de todas as pessoas com teste positivo podem desenvolver uma versão prolongada da doença.

A orientação inclui exames de sangue específicos, possivelmente encaminhando os pacientes para reabilitação pulmonar e fazendo com que usem a oximetria de pulso em casa para medir a saturação de oxigênio no sangue.

O documento do BMJ diz que “resposta fraca ou ausente de anticorpos, reinfecção, reações inflamatórias e outras reações imunológicas, problemas mentais, como estresse pós-traumático” podem contribuir para os sintomas persistentes da infecção causada pelo coronavírus.

Antes de iniciar uma terapia física ou respiratória, os cientistas pedem que os pacientes façam uma avaliação completa com um médico para descartar condição cardíaca, derrame ou embolia pulmonar.

Vale dizer ainda que grande parte dos sintomas podem ser leves para certas pessoas e, nesse caso, um plano de reabilitação tradicional pode ser recomendado.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.