Novo coronavírus pode ter surgido primeiro nos EUA

Estudo da Universidade da Califórnia descobre que casos de tosse e crise respiratória aguda aumentaram em dezembro de 2019 na região de Los Angeles

Paciente no hospital

Aumento de casos de tosse e problemas respiratórios em Los Angeles em dezembro de 2019 pode indicar presença do SARS-CoV-2 (Foto: Pexels)

Estudo realizado por pesquisadores americanos e divulgado na última quinta (10/9) sugere que o novo coronavírus (SARS-CoV-2) pode ter chegado em Los Angeles (EUA) em dezembro de 2019, ou seja, pouco antes de iniciar o surto na cidade de Wuhan, na China.

A pesquisa da Universidade da Califórnia em Los Angeles (EUA) avaliou mais de 10 milhões de registros de saúde de pacientes ambulatoriais, departamentos de emergência e instalações hospitalares entre 1º de dezembro de 2019 a 29 de fevereiro de 2020, e comparou os dados com o mesmo período dos cinco anos anteriores.

Os cientistas encontraram uma tendência preocupante. As visitas ambulatoriais relacionadas à tosse aumentaram mais de 50% e excederam o número médio de consultas para a mesma queixa nos últimos cinco anos em mais de 1.000%.

Eles também encontraram um excesso “significativo” no número de pacientes atendidos com insuficiência respiratória aguda durante o período definido pelo estudo, que foi publicado no periódico científico Journal of Medical Internet Research.

Dados relacionados à covid-19

Para muitas doenças, os dados do ambiente ambulatorial podem fornecer um alerta precoce para os departamentos de emergência e as unidades de terapia intensiva dos hospitais sobre o que está por vir”, diz Joann Elmore, principal autora do estudo, citada pela agência chinesa de notícias Xinhua.

De acordo com a especialista, o número muito alto de visitas, pacientes e hospitalizações sugere que a disseminação do SARS-CoV-2 ocorreu em Los Angeles antes do “estabelecimento da consciência clínica e dos testes”.

Isso pode indicar que o coronavírus chegou silenciosamente e começou a se estabelecer sem ser detectado na costa oeste dos EUA por volta do Natal de 2019. Se for verdade, isso contraria a teoria de que o vírus foi disseminado da China.

Estudo não é definitivo

Vale lembrar que o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA relatou o primeiro caso de covid-19 em 21 de janeiro, de um homem que teria chegado de Wuhan para o estado de Washington.

Os pesquisadores da Universidade da Califórnia afirmam que não há certeza de que o coronavírus esteja por trás das tendências apresentadas no estudo, dizendo que outros fatores poderiam ser responsáveis por parte desse aumento inesperado, como o uso de cigarros eletrônicos ou a gripe sazonal (influenza).

“Podemos nunca saber realmente se esses pacientes em excesso representaram casos de covid-19 precoces e não detectados em nossa área. Mas as lições aprendidas com a pandemia, combinadas com análises de saúde que permitem vigilância em tempo real de doenças e sintomas, podem nos ajudar a identificar e rastrear surtos emergentes e epidemias futuras”, comenta Joann Elmore à Xinhua.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.