Gás associado à vida é encontrado em Vênus

Cientistas descobrem fosfina na atmosfera do nosso vizinho, apesar de ser um planeta com temperaturas extremamente altas e possuir nuvens tóxicas de ácido sulfúrico

Venus - Nasa

Astrônomos não sabem explicar como surgiu fosfina, um gás produzido por seres vivos, na densa e tóxica atmosfera de Vênus (Foto: Nasa/JPL-Caltech/Divulgação)

Apesar de ser quase do tamanho da Terra, Vênus é um planeta muito quente, com temperaturas de até 482º C, apresentando uma paisagem vulcânica e atmosfera extremamente densa, que retém o calor. Na lista de planetas que poderia ter vida, ele raramente é citado.

Mas talvez tenhamos uma surpresa. Um estudo publicado nesta segunda (14/9) na revista científica Nature Astronomy, cientistas encontraram vestígios de um gás nas nuvens de Vênus tipicamente associados à vida na Terra. E eles não podem explicar como isso aconteceu.

Usando o telescópio James Clerk Maxwell, nos EUA, e o Atacama Large Millimeter Array, no Chile, os pesquisadores detectaram traços de fosfina na atmosfera do nosso planeta vizinho. Essa substância é considerada uma assinatura biológica na Terra, ou seja, é normalmente produzida por um organismo vivo.

Gás de planetas habitáveis

Além de estar na zona habitável da estrela, um planeta que possa ter indícios de vida precisa ter traços desses gases que servem como “bioassinatura”.

“Com grande confiança, detectamos a fosfina em Vênus, o que foi muito inesperado e emocionante. Isso é muito encorajador para a hipótese de vida, mas estamos sendo muito cuidadosos”, diz a pesquisadora Jane Greaves, da Universidade de Cardiff, no Reino Unido, uma das autoras do estudo, citada pelo site Inverse.

Abaixo um vídeo (em inglês) da National Geographic sobre nosso vizinho:

Ambiente “infernal”

Apesar de Vênus ser o segundo planeta mais próximo do Sol, ele é o mais quente. Sua rotação é oposta à maioria dos planetas, mas seus ventos sopram tão rápido quanto furacões, enviando as nuvens ácidas para todos os lados a cada cinco dias.

A atmosfera de nosso vizinho é formada principalmente por dióxido de carbono (CO²) e retém o calor da mesma forma que os gases do efeito estufa fazem na Terra. É por isso que Vênus costuma servir como uma visão assustadora de como será o futuro da humanidade se não controlar as emissões de CO².

No artigo recém-publicado, os astrônomos afirmam que Vênus pode ter sido muito diferente em algum momento de sua história inicial, inclusive com água líquida na superfície. Porém, hoje, ele possui condições escaldantes hostis a qualquer forma de vida, além das mortíferas nuvens de ácido sulfúrico.

“Bioassinatura” na atmosfera

A nova pesquisa aponta que existem 20 partes por bilhão de fosfina nas nuvens de Vênus – o que representa um mistério cósmico.

Isso porque são diferentes hipóteses pelas quais esse gás pode ter sido produzido na atmosfera do planeta, e os astrônomos ainda não sabem determinar a origem mais provável.

Uma teoria diz que algum processo químico ou geológico desconhecido ocorre em Vênus, mesmo sendo improvável para o planeta magmático. Outra explicação é a existência de uma forma de vida que astrobiólogos ainda não identificaram, capaz de sobreviver em condições extremas.

Os cientistas deixam claro que a detecção de fosfina não é uma evidência forte o suficiente para confirmar a existência de vida em Vênus. Em vez disso, são necessárias mais observações para investigar mais a fundo esse estranho fenômeno.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.