Estudo associa paracetamol à redução da ansiedade

O famoso analgésico de venda livre, mais conhecido como Tylenol, ajudou voluntários a ter coragem para tomar decisões em situações supostamente arriscadas

Comprimidos diversos - Pexels

Uma dose de 1.000 mg de paracetamol fez voluntários perderem a ansiedade em situações de risco (Foto: Pexels)

O paracetamol (acetaminofeno), conhecido pela marca Tylenol, é um dos remédios para dor e febre mais consumidos no mundo e, segundo novo estudo, também pode ajudar pessoas ansiosas.

“O acetaminofeno parece fazer as pessoas sentirem menos emoções negativas quando presenciam situações arriscadas. Elas simplesmente não se sentem tão assustadas”, diz o neurocientista Baldwin Way, da Universidade Estadual de Ohio (EUA), co-autor do estudo, em entrevista para o site Science Alert.

As descobertas, publicadas no final de julho no periódico científico Social Cognitive and Affective Neuroscience, sugerem que a capacidade afetiva das pessoas de perceber e avaliar os riscos pode ser prejudicada quando elas tomam esse analgésico vendido sem receita.

Como foi o teste do remédio

Os pesquisadores avaliaram mais de 500 estudantes universitários voluntários, que receberam uma dose única de 1.000 mg de paracetamol (dose diária máxima recomendada para adultos). Um grupo de controle recebeu placebo.

Nos testes, os participantes tiveram que simular o enchimento de um balão na tela do computador e cada bombeamento de ar valia uma quantidade de dinheiro virtual. As instruções eram para ganhar o máximo de dinheiro possível enchendo a bexiga até o limite, pois se a estourassem, perderiam toda a grana recebida.

Como mostra o Science Alert, os alunos que tomaram paracetamol assumiram significativamente mais riscos durante o exercício, em relação ao grupo de controle, mais cauteloso e conservador. No geral, aqueles que ingeriram o analgésico bombearam (e estouraram) seus balões mais do que os que receberam placebo.

“Se você é avesso ao risco, pode bombear algumas vezes e depois decidir sacar porque não quer que o balão estoure e perca o dinheiro. Mas para quem toma paracetamol, conforme o balão fica maior, acreditamos que eles têm menos ansiedade e menos emoção negativa sobre o tamanho do balão e a possibilidade de estourar”, comenta Baldwin Way.

Redução da ansiedade

Além da simulação de enchimento de balão, os participantes também preencheram pesquisas durante dois dos experimentos, avaliando o nível de risco percebido em vários cenários hipotéticos, como apostar dinheiro num evento esportivo, saltar de bungee jumping de uma ponte alta ou dirigir um carro sem cinto de segurança.

“Quando a ansiedade se torna excessiva, eles encerram o teste. O paracetamol pode reduzir essa ansiedade, levando a uma maior tomada de risco”, completa o neurocientista ao Science Alert.

Os cientistas acreditam que novas pesquisas são necessárias para entender os contextos psicológicos desse fenômeno, bem como para investigar os mecanismos biológicos responsáveis pelos efeitos do paracetamol nas decisões das pessoas em situações de risco.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.