Novo exame de sangue favorece tratamento do câncer de mama

Chamado de plasmaMATCH, o teste criado no Reino Unido encontra mutações do tumor e permite o uso de remédio específico para essas alterações

Exame de sangue

Cientistas criam exame de sangue que descobre mutações do câncer de mama, favorecendo o tratamento (Foto: Pixabay)

Exame de sangue pode identificar mutações no câncer de mama e ajudar as mulheres com tratamentos direcionados, mais eficazes, segundo estudo clínico recente.

O teste plasmaMATCH, elaborado pelo Instituto de Pesquisa do Câncer de Londres e pelo The Royal Marsden NHS Foundation Trust, ambas instituições do Reino Unido, se mostra mais eficaz que exames de sangue conhecidos como “biópsias líquidas”.

Uma equipe analisou amostras de sangue de mais de mil mulheres com câncer de mama que retornou após o tratamento convencional ou sofreu metástase (espalhou para outra parte do corpo).

De acordo com artigo publicado no site do Instituto de Pesquisa do Câncer na última quinta (10/9), o objetivo era avaliar se o exame plasmaMATCH poderia ajudar a melhorar o tratamento para a maioria das mulheres cujo tumor é causado por uma variedade de mutações raras.

Os resultados foram publicados nesta quinta (11/9) no periódico científico The Lancet Oncology.

Tratamento pensado na mutação

Como mostra o artigo do instituto britânico, os cientistas foram capazes de detectar com segurança as mutações encontradas no DNA do câncer de mama liberado na corrente sanguínea de mulheres que estavam em estágio avançado da doença.

Eles então combinaram as pacientes com tratamentos direcionados para cada tipo de mutação verificada no DNA do tumor.

“Nossas descobertas mostram que exames de sangue podem nos dizer com rapidez e precisão as mudanças genéticas presentes no câncer de uma paciente e usar essa informação para selecionar o tratamento disponível mais adequado”, comenta o pesquisador Nick Turner, da fundação The Royal Marsden, um dos autores do estudo, citado pelo site do instituto do câncer.

Genes mutantes

Os cientistas britânicos analisaram três defeitos nos genes chamados HER2, AKT1 e ESR1, que são conhecidos por causar câncer de mama. Um total de 142 mulheres com mutações detectáveis nesses genes receberam remédios experimentais específicos.

Mulheres com mutações ESR1 foram tratadas com fulvestrant; as com alterações no HER2 receberam só neratinibe ou combinado com fulvestrant. Já as pacientes com mutações AKT1 foram divididas em dois grupos: se o câncer era receptor de estrogênio positivo receberam capivasertibe mais fulvestrant, do contrário, apenas capivasertibe.

Bons resultados

Como mostra o estudo clínico, algumas mulheres com mutações HER2 e AKT1 responderam bem aos tratamentos atribuídos a elas.

Cinco em cada 20 pacientes com mutações raras de HER2 que receberam neratinibe tiveram resposta benéfica – crescimento do câncer foi retardado ou interrompido, ou os tumores diminuíram.

Enquanto isso, quatro de 18 pacientes com mutações AKT1 responderam bem ao capivasertibe. No entanto, o tratamento direcionado à mutação ESR1 não foi considerado eficaz.

Para os medicamentos direcionados que se mostraram inicialmente promissores no estudo, a próxima etapa, conforme os pesquisadores, é realizar ensaios clínicos maiores para avaliar se eles são melhores do que os tratamentos existentes.

“Os testes que detectam o DNA do tumor no sangue têm um potencial enorme e podem transformar a forma como os médicos selecionam terapias direcionadas para pacientes com câncer avançado”, diz Nick Turner.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.