Usar máscara pode reduzir até os sintomas da covid-19

Segundo estudo, as máscaras de proteção facial diminuem a quantidade de coronavírus que infectam a pessoa, causando menos sinais da doença

Mulher usando máscara N95

Além de reduzir o risco de contágio da covid-19, a máscara facial também pode diminuir os sintomas da doença causada pelo SARS-CoV-2 (Foto: Pixabay)

Em meio à pandemia causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), todo mundo sabe da importância de usar máscara contra a covid-19.

Mas um novo estudo sugere que cobrir o rosto pode até não evitar 100% do contágio do coronavírus, mas ainda pode salvar sua vida, porque a máscara pode diminuir significativamente os sintomas e “reduzir a gravidade da doença”.

A pesquisa foi realizada pela Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, e publicada na última terça (8/9) no periódico científico The New England Journal of Medicine.

Quanto menos vírus, menos problemas

De acordo com os cientistas, a máscara de proteção facial pode reduzir a gravidade da doença entre as pessoas infectadas porque os sintomas são proporcionais à carga viral recebida.

Em outras palavras: quanto menos partículas de coronavírus são inaladas, menos doente a pessoa fica. Portanto, mesmo se você contrair o vírus enquanto está com o rosto protegido, provavelmente sentirá menos sintomas.

A pesquisadora Monica Gandhi, co-autora do artigo, citada pelo site Best Life, afirma que a descoberta tem implicações profundas não apenas para os usuários da máscara, mas também para a luta contra a dispersão da covid-19.

“Se todos usarem máscaras, aqueles que ficam doentes ficarão menos doentes, e se as pessoas que contraem o vírus estiverem menos enfermas, no final das contas teremos menos mortes por covid-19”, argumenta a especialista.

Exemplo argentino

O estudo cita como exemplo o surto de coronavírus identificado em julho num navio argentino. Além de ficarem em quarentena, os passageiros receberam máscaras cirúrgicas e a tripulação usou proteção N95.

“A taxa de infecção assintomática foi de 81%, em comparação com 20% em surtos anteriores de navios de cruzeiro sem uso de máscara”, diz trecho do artigo da Universidade da Califórnia.

Em dois surtos recentes em fábricas de processamento de alimentos nos Estados Unidos, onde todos os trabalhadores receberam máscaras e eram obrigados a usá-las, a proporção de infecções assintomáticas entre as mais de 500 pessoas que foram infectadas foi de 95%, informam os cientistas.

Risco são os assintomáticos

O estudo lembra que o vírus tem uma propriedade peculiar que é infectar pessoas sem causar sintomas.

“Eles são totalmente saudáveis, estão bem e assintomáticos. Essa população pode ser perigosa porque pode espalhar o vírus. Por isso recomendamos as máscaras. Estamos interessados em aumentar a proporção de pessoas menos doentes”, comenta o pesquisador George W. Rutherford, o segundo autor do artigo recém-publicado, também citado pelo Best Life.

Segundo ele, o uso de máscaras de proteção facial por toda a população pode levar a uma imunidade geral, facilitando a conquista da tão esperada vacina.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.