Grande parte do mundo tem intolerância à lactose

Parece estranho, mas ser capaz de digerir o açúcar do leite é algo considerado incomum para mamíferos acima dos 5 anos

Colocando leite no copo

O leite é praticamente inexistente na culinária asiática porque nessa região a intolerância à lactose é generalizada (Foto: Pixabay)

Quando o organismo não consegue digerir o leite, a pessoa é vítima da intolerância à lactose. O que nem todos sabem é que esse problema com leite e derivados, como queijo e sorvete, afeta a maioria da população mundial.

A lactose é o açúcar presente em todos os leites produzidos por mamíferos. Quando nascemos, temos um gene responsável pela produção da lactase, a enzima que digere a lactose. Em outras palavras, quando somos bebês, todos temos a capacidade de digerir o leite.

Essa importante enzima é produzida no intestino delgado – ele quebra a lactose em outros tipos de açúcar (glicose e galactose), que podem então ser facilmente absorvidos pela corrente sanguínea.

Mas, por razões ainda desconhecidas, o gene da lactase tende a perder a função quando deixamos de mamar. A maioria das pessoas não é capaz de produzir a enzima (ou muito pouco dela) por volta dos 5 anos. Com isso, a lactose não digerida permanece no cólon e fermenta, causando todos os tipos de efeitos colaterais desagradáveis, como cólica e gases.

Enzima ligada à raça

Como mostra o site HowStuffWorks (Como Tudo Funciona), algumas pessoas carregam uma mutação genética que permite que a continuidade da produção da lactase mesmo após a infância.

“Às vezes, continua por apenas mais alguns anos, às vezes por toda a vida. No mundo todo, mais de 60% das pessoas perdem a capacidade de processar lactose. Como a intolerância à lactose é a condição mais comum em todo o mundo, os cientistas e pesquisadores da área usam o termo persistência da lactase para pessoas que conseguem digerir o leite”, informa trecho do texto publicado pelo site de curiosidades.

O interessante é que certas populações são mais propensas à persistência da lactase do que outras. Os descendentes de caucasianos (europeus) têm muito mais probabilidade de digerir laticínios do que e africanos, hispânicos e indígenas.

As populações escandinavas tendem a manter forte o gene da lactase. Espanhóis e franceses apresentam cerca de 50% de tolerância, segundo o HowStuffWorks. Mas 99% dos asiáticos são intolerantes à lactose – daí a baixa presença de laticínios nas refeições dessa parte do mundo.

Mutação pode explicar a tolerância

Cientistas ainda não sabem como algumas pessoas mantêm o gene da lactase ativo, mas descobriram que o fato pode estar ligado a uma mutação genética ocorrida há cerca de 7,5 mil anos entre produtores de leite da Europa Central.

“Essa mudança no gene também foi registrado na África Oriental na mesma época e também entre produtores de leite. A teoria mais aceita é de que a mutação foi aleatória, mas se tornou geneticamente vantajosa nessas populações ligadas aos laticínios. Até hoje, ainda existem altas taxas de persistência da lactase nessas áreas”, diz o texto do site.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.