OMS reconhece que vacina oral causou novo surto de pólio no Sudão

Doença que causa paralisia infantil estava praticamente erradicada da África, mas volta a causar medo, já que pode se espalhar rapidamente

Vacina oral contra poliomielite

O vírus ativo da vacina oral contra pólio sofreu mutação na África e gerou novo surto da doença (Foto: Pixabay)

Em comunicado divulgado no início de setembro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que o novo surto de poliomielite no Sudão está ligado à vacina oral – problema surge uma semana depois que a agência declarou a África livre da forma selvagem do vírus da pólio.

De acordo com a OMS, duas crianças no Sudão – uma do estado de Darfur do Sul e outra de Gedarif, perto da fronteira com a Etiópia e a Eritreia – ficaram paralisadas em março e abril, vítimas da doença.

As duas crianças haviam sido vacinadas recentemente contra a poliomielite. A OMS diz que as investigações iniciais do surto mostram que os casos estão ligados a um vírus derivado da vacina oral usada no Chade.

“Há circulação local no Sudão e o compartilhamento contínuo da transmissão com o Chade”, afirma o documento da agência da ONU.

Ainda conforme a OMS, foram encontrados 11 casos adicionais de pólio derivados da vacina no Sudão e que o vírus também foi identificado no ambiente.

Doença é preocupante

A doença é altamente infecciosa e pode se espalhar rapidamente por meio da água contaminada e na maioria das vezes atinge crianças com menos de 5 anos.

Em casos raros, o vírus da poliomielite ativo encontrado na vacina oral pode sofrer mutação para uma forma capaz de desencadear novos surtos.

O problema é que estamos vivenciando a pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2) e muitas campanhas de vacinação em grande escala necessárias para erradicar a pólio foram interrompidas em toda a África, deixando milhões de crianças vulneráveis à infecção.

Em maio, a OMS relatou que 46 campanhas para vacinar crianças contra a poliomielite foram suspensas em 38 países, principalmente na África, por causa da pandemia de covid-19.

Algumas campanhas foram reiniciadas recentemente, mas os profissionais de saúde precisam vacinar mais de 90% das crianças para erradicar a doença que causa paralisia infantil.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.