Beija-flor pode baixar temperatura para 3,3º C para economizar energia

Capacidade dos colibris de resfriar drasticamente o corpo foi descoberta por cientistas que analisaram pássaros que vivem nos Andes

Alguns colibris que vivem em altas altitudes podem reduzir a temperatura corporal à noite para economizar energia (Foto: Pixabay)

Beija-flor tem o metabolismo mais rápido entre os vertebrados e, para manter o corpo funcionando, às vezes consome o próprio peso em néctar todos os dias. Os colibris que vivem nos Andes, na América do Sul, levam uma vida ainda mais curiosa.

Eles não apenas precisam trabalhar ainda mais para voar em alta altitude, mas durante as noites frias, economizam energia entrando em torpor profundo, um estado fisiológico semelhante à hibernação.

A temperatura corporal dos beija-flores cai em até 10º C. Então, quando o amanhecer se aproxima, eles começam a tremer, fazendo com que o calor corporal retorne para 35º C.

É um processo intenso, diz o pesquisador Andrew McKechnie, da Universidade de Pretória, na África do Sul, em entrevista para o jornal The New York Times.

Redução da temperatura varia por espécie

Segundo McKechnie e colegas relataram em estudo publicado nesta quarta (9/9) no periódico científico Biology Letters, as temperaturas dos colibris andinos durante o torpor e a quantidade de tempo que passam nesta animação suspensa variam entre as espécies.

Eles também encontraram uma das temperaturas corporais mais baixas já registradas em beija-flores: pouco menos de 3,3º C.

Em viagem aos Andes há cerca de cinco anos, o pesquisador Blair Wolf, da Universidade do Novo México, nos Estados Unidos, coautor do estudo, capturou 26 pássaros para observação durante a noite.

Foram medidas as temperaturas dos beija-flores enquanto eles dormiam e descobriram que quase todos entraram em torpor, apresentando um declínio acentuado no calor corporal no meio da noite.

Algumas espécies, como o violeta cintilante, chegaram a cerca de 7,7º C independentemente da temperatura ambiente. Outros, como o preto de rabo metálico, pareciam rastrear o ar e ficaram muito frios. Um rabo metálico alcançou 3,3º C, registrando a temperatura mais baixa já vista em colibris.

Hibernação?

Na verdade, como mostra Wolf, todos ficaram mais frios e entraram em torpor por mais tempo que outras espécies. Isso pode ajudar a explicar por que esse grupo é mais comum em grandes altitudes – descobriram maneiras de minimizar o estresse de viver num ambiente extremo.

As aves foram mantidas em cativeiro durante a noite, mas Andrew McKechnie diz ao The New York Times que acha que no ambiente natural, há ainda mais para aprender sobre como os colibris economizam energia.

Existem histórias de beija-flores nos Andes que entram em cavernas durante períodos de frio e não emergem por vários dias, um padrão que, se confirmado, sugeriria que os pássaros são capazes de hibernar, observa o cientista.

Semelhante ao torpor, a hibernação, comum em várias espécies de ursos, economiza a energia do organismo, mas dura bem mais do que uma única noite.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.