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Terremoto na Califórnia também pode ser causado por rochas superaquecidas

As forças que levam ao derretimento de rochas em camadas profundas da Terra parecem causar tremores numa região da falha de San Andreas, na Califórnia, Estados Unidos, segundo estudo realizado pela Universidade do Sudeste da Califórnia.

Essa pesquisa usa um método moderno de avaliação da mecânica dos terremotos que analisa o tremor de baixo para cima, ao invés de de cima para baixo, com foco em rochas subterrâneas, fricção e fluidos.

Na região de Parkfield, na falha de San Andreas, as agitações subterrâneas – bem mais fundas do que as áreas de monitoramento dos sismos – levam à instabilidade que pode gerar um terremoto.

“A maior parte dos abalos sísmicos da Califórnia surgem nos 16 km iniciais da crosta terrestre, mas alguns tremores na falha de San Andreas ocorrem muito mais profundamente”, afirma a pesquisadora Sylvain Barbot, co-autora do estudo, em entrevista para o site da Universidade do Sudeste da Califórnia.

Área propensa a abalos

As descobertas, publicadas na revista científica Science Advances no dia 4 de setembro, são significativas porque ajudam a compreender como e onde os terremotos podem ocorrer, junto com as forças que desencadeiam os tremores.

De acordo com a especialista, a região de Parkfield foi escolhida por ser um dos epicentros mais monitorados do mundo. A falha de San Andreas corta a cidade, e regularmente se rompe com terremotos significativos.

Tremores de magnitude 6 na escala Richter abalaram o local em intervalos bastante regulares – em 1857, 1881, 1901, 1922, 1934, 1966 e 2004, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos. Em profundidades maiores, tremores menos intensos são registrados com maior frequência.

Entendendo a dinâmica do terremoto

Os pesquisadores americanos usaram modelos matemáticos e experimentos de laboratório com rochas para simular a dinâmica da atividade sísmica nas profundezas da Terra na falha californiana ao longo de 300 anos.

O estudo aponta que, após o término de um grande terremoto, as placas tectônicas que se encontram no limite da falha entram em uma fase de estabilização. Sem explicação, elas deslizam uma pela outra, causando certa perturbação na superfície.

Gradualmente, o atrito gerado pelos pedaços de granito e quartzo, principais componentes da crosta terrestre, gera calor, que se intensifica e modifica as rochas.

Quando a fricção eleva as temperaturas acima de 343º C, os blocos rochosos ficam menos sólidos e mais fluidos. Em seguida, eles começam a deslizar mais, gerando mais fricção, mais calor e mais fluidos até que passam rapidamente uns pelos outros – provocando um terremoto.

“Assim como esfregar uma mão na outra no frio ajuda a aquecê-las, as falhas esquentam quando deslizam uma sobre a outra. Os movimentos da falha de San Andreas podem ser causados por grandes mudanças na temperatura subterrânea”, esclarece Sylvain Barbot ao site da instituição de ensino.

Ela lembra que ainda assim é difícil prever a ocorrência de um abalo sísmico. “Então, em vez de prever apenas terremotos, estamos tentando explicar todos os diferentes tipos de movimento vistos no solo”, completa a especialista.

João Paulo Martins

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