Cientistas analisam 10 milhões de estrelas e não acham sinal de aliens

O estudo usou sinais de rádio de baixa frequência e avaliou a constelação de Vela, que é visível no Hemisfério Sul

Ilustração de Alien - Pixabay

Existem vários motivos para a busca por sinais de vida alienígena não dar resultado, incluindo a possibilidade de termos tecnologias diferentes (Foto: Pixabay)

Uma varredura de sinais de rádio de baixa frequência num pedaço do céu do Hemisfério Sul não encontrou nenhum indício de tecnologia alienígena.

Em pelo menos 10 milhões de estrelas que povoam a constelação de Vela, o centro de varredura de campo amplo Murchison, na Austrália, não achou assinaturas tecnológicas dentro de seu raio de alcance.

A pesquisa foi publicada na última segunda (7/9) no periódico científico Publications of the Astronomical Society of Australia.

Resultados não desanimam

Citados pelo site Science Alert, os astrônomos Chenoa Tremblay e Steven Tingay, da Universidade Curtin, da Austrália, afirmam que os resultados não são decepcionantes e que a pesquisa mostra como é fácil conduzir a busca por inteligência extraterrestre enquanto se realiza observações astrofísicas tradicionais.

Os pesquisadores lembram que a busca por sinais de vida inteligente fora da Terra é muito complicada. “Não sabemos realmente que tipo de tecnologia uma civilização alienígena poderia desenvolver, então nos baseamos no que sabemos: nossa própria tecnologia e teorias. No caso do Murchison, isso significa sinais de rádio em frequências semelhantes às das emissoras FM”, comentam os cientistas ao site.

Se os alienígenas também estão produzindo esses sinais, e se são poderosos o suficiente, os cientistas australianos acreditam que podemos ser capazes de detectá-los.

“O Muchison é um telescópio único, com um campo de visão extraordinariamente amplo que nos permite observar milhões de estrelas simultaneamente. Observamos o céu ao redor da constelação de Vela por 17 horas, parecendo 100 vezes mais amplo e profundo. Com este conjunto de dados, não encontramos assinaturas tecnológicas”, diz Chenoa Tremblay ao Science Alert.

Milhões de estrelas

A constelação de Vela pode parecer apenas uma ínfima fração de céu quando se olha para ela, mas é muito mais “povoada” do que parece. Ela contém o remanescente da supernova Vela com pelo menos 10 milhões de estrelas em uma variedade de distâncias.

É uma pequena fatia da Via Láctea, que, segundo estimativas dos cientistas, possui entre 100 e 400 bilhões de estrelas.

Portanto, não é uma surpresa que nenhum sinal de vida extraterrestre tenha sido detectado.

“E mesmo que este seja um estudo realmente grande, a porção do espaço que observamos foi o o meso que tentar encontrar algo nos oceanos da Terra, mas procurando num volume de água equivalente ao de uma piscina caseira”, explica Tremblay.

Diferenças tecnológicas

Além da imensidão do universo, existem outros motivos pelos quais podemos não detectar as assinaturas tecnológicas alienígenas.

Em especial se a tecnologia dos seres extraterrestres não for parecida com a nossa. Por isso temos que olhar utilizando todas as ferramentas que temos à disposição.

“Já que não podemos realmente supor como possíveis civilizações alienígenas podem utilizar a tecnologia, precisamos pesquisar de maneiras diferentes. Usando radiotelescópios, podemos explorar o espaço em oito dimensões”, diz o cientista Steven Tingay ao Science Alert.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.