Alimentos e embalagens não transmitem covid-19, diz entidade internacional

Segundo a Comissão Internacional de Especificações Microbiológicas para Alimentos, não há evidência de que o coronavírus possa infectar alguém pela boca

Lavando uma batata

Alimentos e embalagens não transmitem o coronavírus, diz o ICMSF. A melhor forma de prevenção é lavar bem as mãos (Foto: Pixabay)

Segundo a Comissão Internacional de Especificações Microbiológicas para Alimentos (ICMSF na sigla em inglês), em comunicado divulgado no dia 3 de setembro, não há evidências de que a covid-19 possa infectar pessoas por meio de alimentos e embalagens.

“O ICMSF acredita que é altamente improvável que a ingestão do SARS-CoV-2 [novo coronavírus] resulte em doença; não há evidências documentadas de que os alimentos sejam uma fonte e/ou veículo significativo para a transmissão do vírus”, informa a entidade não-governamental no documento disponível em seu site.

Ela lembra ainda que é preciso diferenciar perigo e risco, ou seja, a mera presença de um agente infeccioso no alimento não significa necessariamente que ocorrerá uma infecção.

Diferente da hepatite A

O ICMSF esclarece que o coronavírus é diferente de outros agentes infecciosos transmissíveis pelos alimentos, que entram no corpo por meio do trato gastrointestinal, podendo infectar órgãos e tecidos.

“Um exemplo é o vírus da hepatite A, que entra na corrente sanguínea após infectar o epitélio intestinal humano e, por fim, gera infecção no fígado”, diz o comunicado.

A entidade internacional esclarece que apesar dos bilhões de alimentos manipulados e consumidos em todo o mundo desde o início da pandemia de covid-19, até o momento não houve qualquer evidência de contaminação pelas refeições ou embalagens.

“No entanto, embora não haja evidência de que alimentos ou embalagens sejam fonte de infecção por contato cruzado, é prudente enfatizar aos fabricantes e manipuladores de alimentos sobre as boas práticas de higiene alimentar para minimizar qualquer contato com o SARS-CoV-2”, alerta o ICMSF.

Vírus nas superfícies

O medo da população de uma possível contaminação pelo novo coronavírus por meio de alimentos e embalagens aumentou depois que um estudo publicado em abril no periódico científico New England Journal of Medicine mostrou que o vírus pode sobreviver por algum tempo no plástico e no aço inoxidável.

Ainda assim, a pesquisa não levou em conta as condições ambientais a que poderiam estar expostas essas superfícies. Isso porque cientistas russos descobriram que o causador da covid-19 não resiste a mudanças de temperatura e nem aos desinfetantes caseiros.

De qualquer forma, a Comissão Internacional de Especificações Microbiológicas para Alimentos orienta que a melhor forma de prevenir o contágio pelo SARS-CoV-2 é lavar bem as mãos, manter o distanciamento social e usar máscaras em ambientes fechados de uso público.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.