Filhote de 14 mil anos pode ter sido um dos primeiros pets

O animalzinho ficou conservado no solo congelado da Sibéria e tinha cerca de 9 meses quando veio acabou falecendo

Animal Doméstico de 14 mil anos

Graças às condições do permafrost da Sibéria, um filhote de cachorro de 14 mil anos foi encontrado em excelente estado de conservação (Foto: Sergej Fedorov/Divulgação)

Cientistas suecos encontraram um filhote de cachorro domesticado de 14 mil anos, que viveu durante a última era glacial, e que havia comido carne de um dos últimos rinocerontes lanosos da Terra.

A descoberta da última refeição do pet se deu graças ao exame de DNA do material não digerido encontrado no estômago do cão. Inicialmente, acreditava-se que a pele com pelo amarelo pertencia a um leão das cavernas (Panthera spelaea), mas o material genético provou ser de um rinoceronte-lanudo (Coelodonta antiquitatis), que foi extinto há cerca de 14 mil anos, bem na época em que o filhote fez sua última refeição.

Essas análises fazem parte de um estudo liderado pelo Centro de Paleogenética da Suécia e publicado em agosto na revista científica Current Biology.

Cachorro ou lobo?

O filhote mumificado foi descoberto na região de Tumat, no nordeste da Sibéria, em 2011. Uma análise revelou que o animalzinho devia ter entre três e nove meses quando morreu, mas não está claro se era um cachorro ou um lobo.

“Eu acho que isso revela o período importante para a domesticação do cão ou lobo”, comenta a pesquisadora sueca Edana Lord em entrevista ao site Live Science. Ela acrescenta que uma equipe de pesquisa em Copenhagen está tentando descobrir se o filhote encontrado em Tumat foi domesticado ou não.

Cientistas descobriram que o pet de 14 mil anos comeu pela última vez um pedaço do rinoceronte-lanudo, (foto maior) extinto há 14 mil anos (Fotos: Sergej Fedorov/Divulgação)

A datação por radiocarbono revelou que o suposto pet viveu há cerca de 14 mil anos. Os pesquisadores também dataram o resto de rinoceronte-lanudo, para descartar a possibilidade de que ele não tivesse morrido antes e ficado preservado no permafrost (solo congelado) da Sibéria, antes de ser consumido posteriormente pelo filhote.

Lord revela ao site que é possível “que esse cachorro tenha pertencido a uma matilha de necrófagos e que os animais ou mataram o rinoceronte, ou estavam procurando por comida e encontraram uma carcaça”.

Primeiro pet comprovado?

Se o filhote foi domesticado, é possível que vivesse com humanos, que podem ter compartilhado a refeição – composta pelo rinoceronte-lanudo – com o cãozinho, segundo a cientista.

Infelizmente, o animalzinho faleceu logo depois da refeição, e não se sabe ainda o motivo. Ainda assim, os pesquisadores descartaram a possibilidade de o filhote ter sido esmagado antes de ser mumificado naturalmente pelo permafrost.

Edana Lord saliente que os predadores da época provavelmente não causaram a extinção do rinoceronte-lanudo. “Em vez disso, o culpado foi o rápido aquecimento do clima no final da última era do gelo”, diz a especialista ao Live Science.

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