Danos da covid-19 duram semanas, mas pulmões se recuperam rápido

Estudo realizado na Áustria descobre que problema pulmonar dura semanas após a alta hospitalar, mas em seguida a recuperação é rápida

Pulmão humano - Pixabay

Apesar de o coronavírus causar danos prolongados nos pulmões, os órgãos se recuperam bem após algumas semanas (Foto: Pixabay)

A covid-19 pode deixar sequelas no organismo que duram semanas, mas a boa notícia é que os danos nos pulmões tendem a melhorar rapidamente após esse período.

A informação foi divulgada nesta segunda (7/9) durante o Congresso Internacional da Sociedade Respiratória Europeia.

“As pessoas apresentam comprometimento pulmonar devido ao covid-19 semanas após a alta; mas esse comprometimento tende a melhorar com o tempo, o que sugere que os pulmões têm um mecanismo de autorreparação”, comenta a pesquisadora Sabina Sahanic, da Universidade Médica de Innsbruck, na Áustria, que esteve envolvida no estudo, citada pela emissora CNN.

Até agora, apenas relatórios da pesquisa foram divulgados e os resultados são preliminares, mas eles lançam uma nova luz sobre os impactos de longo prazo da covid-19.

Metodologia da pesquisa

O estudo de Sahanic incluiu dados de 86 pacientes com infecção grave causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) que foram avaliados entre abril e junho.

Os pacientes foram analisados seis semanas após a alta do hospital e reavaliados após 12 semanas, afirma a especialista.

Foram realizados exame clínico, testes laboratoriais, análise da função pulmonar, tomografias computadorizadas de tórax e ecocardiogramas do coração. A pesquisa continuará com uma terceira avaliação após seis meses.

Falta de ar persistente

Nas primeiras seis semanas de alta hospitalar, Sabina Sahanic e seus colegas descobriram que 65,9% dos pacientes exibiam sintomas persistentes de covid-19, especialmente falta de ar e tosse.

“Em relação aos nossos achados, descobrimos que cerca de 88% dos pacientes do nosso estudo ainda apresentavam sintomas patológicos na primeira avaliação, que melhoraram para 56% deles na segunda análise”, afirma a pesquisadora austríaca à CNN.

Os cientistas também observaram que alguns pacientes apresentavam disfunção diastólica do ventrículo esquerdo do coração – incapacidade do ventrículo de preencher o volume normal – e função pulmonar anormal.

Eles alertam que mais pesquisas são necessárias para determinar se descobertas semelhantes surgiriam entre um grupo maior e mais diverso de pessoas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.