Azitromicina não ajuda contra casos graves de covid-19

Estudo descobre que o antibiótico é ineficaz no tratamento de pacientes hospitalizados com a infecção causada pelo novo coronavírus

Frasco com comprimidos

Segundo o estudo recente, a azitromicina, além de não tratar a covid-19 em casos graves, pode afetar os rins (Foto: Pixabay)

Segundo estudo realizado pela Coalizão Covid-19, formada por cientistas de oito instituições médicas, incluindo os hospitais Israelita Albert Einstein e Sírio-Libanês, o antibiótico azitromicina não funciona em casos graves de infecção pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2).

Os resultados da pesquisa foram publicados na última sexta, dia 5 de setembro, na revista científica The Lancet.

O antibiótico azitromicina é o segundo medicamento mais usado no mundo no tratamento da casos graves de covid-19.

“O nosso estudo mostra que a azitromicina para pacientes graves, que precisam de oxigênio e estão entubados, não deve ser rotineiramente prescrita, porque não traz nenhum benefício”, afirma o cardiologista Renato Lopes, do Brazilian Clinical Research Institute, que faz parte da coalizão, em entrevista para o jornal O Globo.

Segundo ele, o remédio só é indicado caso o paciente tenha pneumonia bacteriana associada à infecção causada pelo coronavírus.

Danos aos rins

A pesquisa da Coalizão Covid-19 mostrou ainda que a azitromicina pode piorar a função renal em alguns pacientes.

“No mínimo, isso nos alerta a não usar rotineiramente esse remédio, porque ele não traz benefício nenhum e pode, eventualmente, causar algum efeito adverso”, afirma Lopes ao periódico.

Os pesquisadores avaliaram 397 pacientes com covid-19, que foram divididos em dois grupos.

No primeiro, 214 pessoas receberam azitromicina e o tratamento padrão, que inclui hospitalização, aplicação de outras drogas, como antivirais. Já o segundo grupo, de 183 pessoas, recebeu a mesma terapia padrão, mas sem azitromicina.

De acordo com o estudo publicado na The Lancet, os dois grupos apresentaram os mesmos resultados. Uma análise foi realizada nos pacientes 15 dias depois do início do tratamento e os médicos constataram que o antibiótico não ajudou em nada.

(com emissora estatal alemã Deutsche Welle)

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