Desafio do Balde de Gelo ajudou na criação de um remédio para ELA

O dinheiro arrecadado com o Ice Bucket Challenge, realizado por celebridades e internautas em todo o mundo, foi usado na criação de uma droga contra Esclerose Lateral Amiotrófica

Bill Gates faz o Ice Bucket Challenge

O criador da Microsoft, Bill Gates, participou do Ice Bucket Challenge em 2014 (Foto: YouTube/Bill Gates/Reprodução)

Graças ao Desafio do Balde de Gelo (Ice Bucket Challenge), que se espalhou pela internet entre 2014 2 2015, foi criado um medicamento que pode retardar a progressão da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) – doença que ficou famosa por afetar o célebre físico Stephen Hawking.

A pesquisa, publicada na última quinta, dia 3 de setembro, no periódico científico The New England Journal of Medicine, foi apoiada em parte por doações do Ice Bucket Challenge que chegaram a mais de US$ 200 milhões (cerca de R$ 1,05 bilhão) em todo o mundo.

A “brincadeira” que arrecadou tanto dinheiro e fez sucesso na internet na época era simples: ao ser desafiada por alguém. a pessoa devia derramar um balde contendo água e gelo na própria cabeça.

Confira a participação do empresário Bill Gates (criador da Microsoft) no Ice Bucket Challenge:

Medicamento para retardar a doença

O novo remédio (fenilbutirato de sódio e taurursodiol) não é uma cura, mas pode ajudar a retardar a paralisia causada pela ELA, que destrói células nervosas que controlam músculos importantes, como os da locomoção, da fala e até da respiração.

“Os pacientes dizem que o objetivo deles é reter a capacidade física pelo maior tempo possível. Querem continuar a andar e a usar as mãos”, diz a pesquisadora Sabrina Paganoni, do Hospital Geral de Massachusetts, nos Estados Unidos, uma das autoras do estudo, em entrevista para a emissora NBC, divulgada no dia 2.

Age dentro das células

O tratamento estudado por Paganoni e colegas tem como alvo duas estruturas celulares danificadas pela doença: as mitocôndrias, que são as usinas de energia das células; e o retículo endoplasmático, os “caminhões” que transportam resíduos que podem afetar a estrutura celular.

A pesquisa foi realizada com ensaio duplo-cego de fase 2 – são necessárias três etapas nos EUA para a aprovação do medicamento. No duplo-cego, nem os pacientes nem os pesquisadores sabem quem está recebendo a droga.

Caso a fase 2 dê resultado positivo, as autoridades americanas exigem um estudo de fase 3 maior e mais longo.

Metodologia do estudo

Para testar a eficácia da combinação de fenilbutirato de sódio e taurursodiol, os pesquisadores recrutaram 137 pacientes com Esclerose Lateral Amiotrófica que se tornaram sintomáticos nos 18 meses anteriores. Cerca de dois terços dos pacientes (89) receberam o medicamento, enquanto o terço restante recebeu um placebo.

O estudo não percebeu diferença entre a medicação e o placebo em resultados como tempo decorrido até a morte, traqueostomia ou intubação permanente e hospitalização. Mas, segundo os cientistas, isso pode ter ocorrido porque o teste se deu por apenas seis meses.

Sean Paganoni diz à NBC que acredita que, se aprovado, o novo remédio seria parte de um coquetel de drogas necessárias para controlar a ELA.

Como o ensaio mostrou que o medicamento pode fazer diferença, todos os participantes tiveram a oportunidade de continuar com ele ou, no caso daqueles que receberam placebos, de iniciá-lo.

A pesquisadora do Hospital Geral Sean M. Healey fez questão de lembrar que a pesquisa só foi possível graças ao Desafio do Balde de Gelo.

“O Desafio do Balde de Gelo foi um ponto importante na luta contra a ALS. Ele colocou a esclerose no mapa, aumentou a conscientização sobre a doença e atraiu mais investigadores e investimentos para a pesquisa”, comenta a cientista à emissora americana.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.