Cientistas “retiram” da extinção o cão cantor da Papua-Nova Guiné

Exemplares da rara espécie foram descobertos na região oeste da ilha asiática e exames de DNA confirmaram se tratar de descentes de animais selvagens

Cão Cantor da Nova Guiné

O cão cantor da Papua-Nova Guinés possui uivo e latido únicos e foram considerados extintos até 2016 (Foto: Sandiegozoo.org/Reprodução)

O raro cão cantor da Papua-Nova Guiné (Canis lupus hallstromi), conhecido por seus latidos e uivos típicos, foi considerado extinto por 50 anos até 2016.

A Papua-Nova Guiné faz parte da segunda maior ilha do mundo – divide o território com a Indonésia. Os cães cantores foram descritos pela primeira vez em 1897, depois que um indivíduo foi encontrado a uma altitude de cerca de 2.100 m, na Província Central.

A espécie, que é capaz de emitir sons harmônicos que foram comparados aos da baleia jubarte, possui apenas 200 exemplares em centros de conservação ou zoológicos no mundo.

Todos são descendentes de cães cantores selvagens capturados na década de 1970.

Veja, abaixo, um exemplo dos sons emitidos pela espécie:

Avaliação genética

Nenhum exemplar do raro animal foi visto na Papua-Nova Guiné por meio século até 2016, quando uma expedição localizou e estudou 15 cães selvagens do lado oeste da ilha.

Uma nova equipe de cientistas voltou ao local em 2018 para coletar amostras de DNA para confirmar se esses indivíduos das terras altas são realmente descendentes dos cães cantores.

A comparação do material genético extraído de três indivíduos sugere que eles têm genoma muito semelhante entre si, de acordo com estudo publicado no dia 31 de agosto no jornal científico PNAS.

Confirmação da espécie rara

Embora os genomas não fossem idênticos, os pesquisadores descobriram que os cães das montanhas são os cantores selvagens originais da Nova Guiné.

“Eles parecem mais relacionados com a população de cães cantores dos centros de conservação, que descendem de oito animais levados para os Estados Unidos há muitos anos”, comenta a pesquisadora Elaine Ostrander, do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, uma das autoras do estudo, em entrevista à emissora CNN.

Os cães que foram criados em cativeiro mantiveram a característica da espécie por terem sido cruzados entre si, por gerações – com isso, perderam muita diversidade genética.

Os indivíduos descobertos no em Papua-Nova Guiné têm 70% de equivalência genética com a população mantida cativeiro, segundo Ostrander, com a diferença de manterem parte da diversidade de DNA original da espécie.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.