Alimentos ultraprocessados aceleram o envelhecimento

Estudo espanhol descobriu que o consumo elevado de produtos industrializados afeta diretamente o DNA, causando o envelhecimento precoce do organismo

Prateleiras de supermercado

Consumir muito alimento industrializado pode acelerar o processo de envelhecimento do organismo, diz estudo (Foto: Pixabay)

Dietas ricas em alimentos industrializados, normalmente ultraprocessados, como salgadinhos, barras de chocolate, refrigerantes, macarrão instantâneo e pães embalados podem envelhecer mais rapidamente, sugere um novo estudo.

Pesquisadores da Universidade de Navarra, em Pamplona, na Espanha, associaram a ingestão desse tipo de produto à maior probabilidade de alterações cromossômicas associadas ao envelhecimento do organismo.

Os resultados foram apresentados numa conferência online na última terça, dia 1º de setembro, e publicados em abril no periódico científico American Journal of Clinical Nutrition.

Alimentos industrializados enfraquecem os cromossomos

Os cientistas espanhóis descobriram que as pessoas que comem mais de três porções de alimentos ultraprocessados por dia podem ter duas vezes mais chances de os telômeros (estruturas que protegem a extremidade dos cromossomos) encurtarem, o que é um indicador de envelhecimento.

“Embora os telômeros não tenham informações genéticas, eles são vitais para preservar a estabilidade e integridade dos cromossomos e, claro, do DNA, que é responsável pelo funcionamento de todas as células”, afirma o comunicado divulgado na conferência e citado pela agência americana de notícias AFP.

À medida que envelhecemos, é natural que os telômeros fiquem ficam mais curtos, pois cada vez que uma célula se divide, parte dessas estruturas feitas de proteínas é perdida – por isso o comprimento do telômero é considerado um marcador de idade biológica.

Como foi o estudo espanhol

Na pesquisa da Universidade de Navarra, foram avaliados 645 homens e 241 mulheres com idade média de 67,7 anos. À medida que crescia o consumo de alimentos ultraprocessados, também aumentava a probabilidade de ter telômeros encurtados.

O grupo de consumo “médio-baixo” (até duas porções e meia por dia) teve um aumento de risco de envelhecimento de 29%. Já os que chegavam a três porções diárias elevaram em 40%. Por fim, quem comia mais de três porções de alimentos industrializados todos os dias teve 82% de aumento do risco de encurtamento dos telômeros.

Os cientistas também identificaram uma associação entre o consumo de ultraprocessados e problemas como depressão, hipertensão, sobrepeso/obesidade e mortalidade prematura.

“No estudo transversal de idosos espanhóis, mostramos uma associação forte e robusta entre o consumo de alimentos ultraprocessados e o comprimento dos telômeros. Porém, são necessárias pesquisas longitudinais maiores, com medidas basais e repetidas do comprimento dos telômeros, para confirmar nossas observações”, diz outro trecho do comunicado citado pela AFP.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.