Fusão inédita de buracos negros é captada por sensores na Terra

Segundo os cientistas, ninguém podia imaginar que um buraco negro 85 vezes maior que o Sol existisse e que se fundiria com outro, gerando um ainda maior

Ilustração de Buraco negro

Astrônomos captam fusão inédita de dois buracos negros gigantes que geraram um outro ainda maior (Foto: Pixabay)

Uma equipe internacional de astrônomos detectou pela primeira vez na história a fusão de dois buracos negros gigantescos.

O fenômeno, que os cientistas acreditavam existir apenas em teoria, já que nunca fora detectado, resultou na criação de um imenso buraco negro.

Os dois corpos que se fundiram tinham cerca de 85 e 66 vezes a massa do nosso Sol. Após a união, que gerou uma onda gravitacional captada por sensores terrestres, foi criado um buraco negro 142 vezes mais denso que o Sol.

“Nunca vimos algo assim antes. É a primeira vez que um tipo de sinal gravitacional como esse foi medido”, afirma o pesquisador Evan Goetz, da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, coautor do estudo, em entrevista para a rádio canadense CBC.

Registro das ondas gravitacionais

A pesquisa inovadora, publicada nesta quarta, dia 2 de setembro, na revista científica Physical Review Letters, foi possível graças ao Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferômetro a Laser nos Estados Unidos e ao Interferômetro Virgo, em Pisa, na Itália.

As ondas gravitacionais resultantes da fusão dos buracos negros foram identificadas em 21 de maio de 2019, apesar de o estudo ter sido publicado hoje.

Até agora, as ondulações no espaço-tempo causadas por processos altamente energéticos, ou seja, as ondas gravitacionais decorrentes de fenômenos espacias como fusão de buracos negros ou estrelas de nêutrons, normalmente criam um ruído tipo “chiado” nos detectores.

Mas o de 2019, dizem os pesquisadores no artigo recém-publicado, gerou um “bang” de curta duração, com cinco ou seis oscilações de sinal. Comparativamente, outras detecções de ondas gravitacionais produziram centenas de oscilações, de acordo com os especialistas.

Abaixo, uma simulação da fusão dos imensos buracos negros:

Descoberta surpreendente

Os astrônomos ficaram surpresos com os tamanhos dos buracos negros que se fundiram e com o que eles geraram.

Como se sabe, o buraco negro é uma região do espaço cuja gravidade é tão forte que nada consegue escapar dele.

Normalmente, esse corpo celeste surge quando estrelas com cerca de 10 vezes a massa do Sol morrem numa explosão massiva (supernova).

De acordo com os cientistas, estrelas com cerca de 65 vezes a massa do Sol se autodestroem. Já as que apresentam densidade 120 maior colapsam transformando-se diretamente num buraco negro ao final da vida.

Isso significa que buracos negros com massa entre 65 e 120 vezes a do Sol nem deveriam existir. No entanto, a descoberta publicada nesta quarta acaba de quebrar essa lógica.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.