Vacinas da Rússia e da China contra Covid-19 podem ter só 40% de eficácia

Segundo especialistas ouvidos pela Reuters, o tipo de imunizante criado por russos e chineses usa um vírus que fornece menor capacidade de proteção

Seringas tipo vacinas

Vacinas que usam vírus do resfriado para carregar os genes do coronavírus podem gerar pouca resposta imunológica, segundo especialistas (Foto: Pexels)

As vacinas contra covid-19 desenvolvidas na Rússia e na China possuem uma “falha” em comum, segundo especialistas ouvidos pela agência de notícias britânica Reuters: são baseadas num vírus de resfriado comum que pode limitar a eficácia.

A vacina da CanSino Biologics, aprovada para uso militar na China, é uma forma modificada do adenovírus tipo 5. A empresa já está em negociações para obter aprovação emergencial deuso em vários países, antes mesmo de concluir os testes em grande escala, informa a agência.

O imunizante desenvolvido pelo Instituto Gamaleya de Moscou, aprovada na Rússia no início de agosto, apesar dos testes limitados, também é baseada no adenovírus tipo 5.

Efeito protetor reduzido

“O adenovírus tipo 5 me preocupa porque muitas pessoas têm imunidade. Não tenho certeza de qual é a estratégia deles. Talvez não chegue a 70% de eficácia. Pode ter 40%, e isso é melhor do que nada, até que outra coisa apareça”, comenta a pesquisadora Anna Durbin, da Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos, em entrevista para a Reuters.

As vacinas são consideradas essenciais neste momento de pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2), já que o patógeno causador da Covid-19 vitimou cerca de 845 mil mortes em todo o mundo.

Como mostra a agência de notícias, os dois laboratórios têm anos de experiência e já aprovaram vacinas contra o Ebola também com base no adenovírus tipo 5.

Vírus pouco usado em imunizantes

Conforme a Reuters, pesquisadores trabalham há décadas com vacinas baseadas no adenovírus tipo 5 contra uma variedade de infecções, mas nenhuma é amplamente usada.

A ideia é utilizar um vírus “inofensivo” como “vetor” para transportar genes do micro-organismo alvo da imunização – como o novo coronavírus – para as células humanas. Isso leva a uma resposta imunológica do organismo.

O problema é que muitas pessoas já têm anticorpos contra o adenovírus tipo 5. Ou seja, o sistema imunológico pode combater o “vetor” em vez de dar uma resposta adequada ao patógeno alvo, no caso, o SARS-CoV-2.

Portanto, as vacinas criadas na Rússia e na China podem se tornar menos eficazes.

Usando outros adenovírus

De acordo com a Reuters, os imunizantes criados pela Universidade de Oxford, da Inglaterra (que está sendo testado no Brasil), e pelo laboratório britânico AstraZeneca foram baseados num adenovírus típico de chimpanzés, evitando o problema com o tipo 5.

Por sua vez, a vacina desenvolvida pela americana Johnson & Johnson usa o adenovírus 26, uma cepa considerada rara do micro-organismo causador do resfriado.

O pesquisador Zhou Xing, da Universidade McMaster, do Canadá, que trabalhou com a CanSino em 2011 numa vacina para tuberculose, diz à agência de notícias que sua equipe está desenvolvendo um imunizante intranasal contra a Covid-19.

Apesar de ser usado o adenovírus tipo 5, a forma de aplicação poderia evitar a redução na eficácia.

Ele alerta que altas doses do “vetor” na vacina da CanSino pode induzir febre, o que aumentaria o ceticismo sobre o uso de imunizante contra o coronavírus.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.