Trombose venosa cerebral não afeta apenas mulher de meia-idade

Estudo americano descobre aumento desse tipo de trombose em mulheres mais velhas e também entre o público masculino

Dor na cabeça

Cientistas descobriram que os casos de trombose venosa cerebral aumentaram entre mulheres acima de 44 anos e também entre os homens (Foto: Pixabay)

A trombose venosa cerebral (entupimento de veias no cérebro) se tornou mais comum nos últimos anos e também passou a afetar mais homens, segundo novo estudo feito nos Estados Unidos.

“Pesquisas mais antigas estimam a incidência anual dessa trombose entre dois e cinco casos por milhão de habitantes, mas os estudos que fornecem essas estimativas se baseiam em dados anteriores ao uso de tecnologia diagnóstica não invasiva e, portanto, são provavelmente limitados”, afirma o artigo publicado dia 26 de agosto no periódico científico Neurology.

Além disso, os pesquisadores descobriram que a proporção de mulheres entre 18 e 44 anos vítimas da trombose venosa cerebral permaneceu inalterada ao longo do tempo, enquanto mulheres mais velhas e homens de todas as idades apresentaram um número crescente de casos.

“Seja real ou artificial devido à detecção aprimorada, o aumento da incidência implica que a trombose venosa cerebral é um problema crescente ou anteriormente não reconhecido em homens e mulheres mais velhas e não mais apenas uma doença de mulheres jovens”, afirmam os pesquisadores.

Fatores de risco

Além dos avanços na detecção desse tipo de trombose, outra explicação para o aumento da incidência poderia ser as mudanças nos fatores de risco.

Até então, os principais fatores de risco associados ao problema eram:

  • Idade entre 20 e 50 anos
  • Uso de contraceptivos orais
  • Gravidez
  • Puerpério (amamentação)

“No estudo, identificamos um aumento acentuado na proporção de hospitalizações de trombose venosa cerebral associadas a tumor cerebral, câncer e doenças inflamatórias. A prevalência de obesidade, um possível fator de risco emergente para a doença, quando combinada com o uso de anticoncepcionais orais, também mais que dobrou as hospitalizações ao longo do tempo”, relatam os cientistas no artigo recém-publicado.

Notavelmente, o número de mulheres grávidas e puérperas hospitalizadas com essa trombose caiu drasticamente durante o período do estudo.

“Embora também não tenhamos uma explicação clara para esse achado intrigante, é possível que as mudanças nas práticas obstétricas na última década, incluindo recomendações para o uso de aspirina para prevenir a pré-eclâmpsia em pacientes de risco, também possam ter inadvertidamente levado à redução da trombose venosa cerebral associada ao pós-parto em algumas pacientes de risco”.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.