Coronavírus pode permanecer nas vias aéreas das crianças por dias

O vírus causador da Covid-19 permanece no trato respiratório dos jovens, mesmo que ele s não apresentam sintomas da infecção

Crianças brincando

Estudo mostra que o coronavírus pode permanecer no trato respiratório das crianças durante vários dias (Foto: Pixabay)

Um estudo publicado nesta sexta, dia 28 de agosto, na revista científica JAMA Pediatrics, aponta que as crianças podem carregar o novo coronavírus no nariz e na garganta por semanas, mesmo se não apresentarem quaisquer sintomas.

Isso pode explicar a forma como o vírus se espalha silenciosamente, mesmo em pessoas que supostamente não foram expostas ao patógeno em locais de uso público.

Na pesquisa, os autores estimam que 93% das crianças infectadas teriam passado despercebidas usando uma estratégia de teste focada apenas em exemplos de pacientes sintomáticos.

Diferentes respostas ao vírus

Os cientistas analisaram dados de 91 crianças assintomáticas, pré-sintomáticas e sintomáticas com diagnóstico de Covid-19 entre 18 de fevereiro e 31 de março em 22 centros de saúde da Coreia do Sul.

Entre esses pacientes, 20 deles – ou 22% – não apresentaram sinais óbvios da infecção causada pelo SARS-CoV-2 e permaneceram assintomáticos durante todo o estudo.

Outras 18 crianças eram pré-sintomáticas, o que significa que não pareciam se sentir mal na época, mas acabaram tendo os sintomas mais tarde.

No total, mais da metade das crianças apresentou sintomas, que incluíam febre, tosse, diarreia, dor abdominal e perda do olfato ou paladar, entre outros. A duração dos sintomas parecia variar de um a 36 dias.

Vírus permaneceu nas vias aéreas

A pesquisa recém-publicada descobriu que o material genético do vírus foi encontrado nas crianças por uma média de 17,6 dias.

Mesmo nas crianças sem sintomas, o micro-organismo foi detectado por 14 dias em média. Também é possível que o coronavírus permaneça por mais tempo, afirmam os cientistas, porque a data inicial da infecção não foi identificada.

No entanto, isso não significa necessariamente que as crianças estavam espalhando o vírus, alertam os especialistas.

“A presença do material genético do vírus não deve ser equiparada à transmissão, especialmente em pessoas que não apresentam sintomas importantes como tosse e espirro”, comenta Calum Semple, professor da Universidade de Liverpool, no Reino Unido, citado pela emissora americana CNN.

Ele lembra que mais pesquisas são necessárias para determinar se descobertas semelhantes surgiriam entre um grupo maior de crianças de outras partes do mundo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.