Descoberto como o herpes causa sarcoma de Kaposi

Pesquisa analisou a forma como o vírus atua nas células do hospedeiro, o que favorece a criação de tratamentos específicos para esse micro-organismo que causa câncer

Células

Sabia que o herpesvírus humano tipo 8 é capaz de gerar um câncer chamado sarcoma de Kaposi? (Foto: Pixabay)

Estudo publicado no dia 20 de agosto no periódico científico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) descobriu como o herpesvírus humano tipo 8 altera as células do hospedeiro, causando infecção persistente e até câncer.

Com isso, será possível, em breve, desenvolver uma terapia que bloqueie a persistência do micro-organismo, o que eliminaria as células cancerosas do corpo do paciente.

O herpesvírus tipo 8 é um dos sete vírus conhecidos que causam tumor em humanos e é responsável pelo sarcoma de Kaposi, uma doença imunossupressora associada principalmente à Aids. Não existem terapias específicas para esse câncer e o prognóstico pode ser muito ruim.

Forma de infecção da célula pelo herpes

O herpesvírus humano tipo 8 infecta principalmente linfócitos (células brancas do sangue), transferindo seus próprios genes para a célula. Como consequência, o patógeno assume os mecanismos de crescimento celular, fazendo com que haja descontrole, causando eventualmente câncer – sarcoma de Kaposi ou linfoma não-Hodgkin.

Portanto, compreender como esse vírus modula a função da célula hospedeira é fundamental para potenciais terapias.

O estudo realizado por cientistas da Universidade de Lisboa, em Portugal, e pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, avaliou justamente as proteínas virais expressas durante a fase latente da infecção, que fazem o vírus persistir dentro das células hospedeiras.

Modificação da célula hospedeira

Os pesquisadores descobriram como as proteínas chamadas LANA atuam como coordenadoras centrais da replicação e persistência dos genomas virais dentro das células do hospedeiro.

“A descoberta de que o herpesvírus humano tipo 8 desenvolveu um mecanismo para esse tipo de interação proteica ressalta a importância fisiológica das modificações que ele gera na regulação de infecções de persistência”, comenta Pedro Simas, da Universidade de Lisboa, um dos autores do estudo, citado pelo site Medical Xpress.

Os resultados poderão ser usados para a criação de tratamentos do sarcoma de Kaposi por meio do bloqueio da função da região das proteínas LANA que favorecem a infecção viral. Isso deve abolir a persistência do micro-organismo no corpo do paciente, o que mataria as células cancerosas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.